Mineração
Projeto de terras raras na Bahia tem VPL estimado em US$ 7,9 bi
Estudo da Brazilian Rare Earths aponta alto teor de disprósio e térbio e prevê início da produção em 2031
Em um momento em que Estados Unidos, Europa e seus aliados investem bilhões de dólares para reduzir a dependência da China em terras raras, um projeto brasileiro com concentrações elevadas de disprósio e térbio, dois dos elementos mais sensíveis dessa cadeia, acaba de revelar uma dimensão econômica bilionária.
A Brazilian Rare Earths (BRE) divulgou estudo de escopo para o projeto Rocha da Rocha, que estima Valor Presente Líquido (VPL) pós-impostos de US$ 7,9 bilhões, Taxa Interna de Retorno (TIR) de 89% e payback de 1,1 ano. O capital estimado até a primeira produção é de US$ 969 milhões.
O principal ativo da companhia no País é Monte Alto, na Bahia, depósito que a BRE apresenta como um dos mais promissores do Brasil em terras raras, com mineralização de alto teor de elementos pesados. Diferentemente de vários ativos descobertos recentemente no País, associados a argilas iônicas, o depósito baiano apresenta mineralização de rocha dura.
Monte Alto possui 3,4 milhões de toneladas de recursos minerais primários e residuais, com teor médio de 11,3% de óxidos totais de terras raras (TREO). Desse volume, 2,51 milhões de toneladas são classificadas como recursos indicados, com teor de 12,7%, e 890 mil toneladas são inferidas, com 7,1%.
Segundo o estudo, a mineralização supera em mais de duas vezes os teores reportados por dois grandes produtores ocidentais, reduzindo a necessidade de movimentação e processamento de material.
Disprósio e térbio são terras raras pesadas usadas para aumentar a capacidade dos ímãs permanentes de manter o desempenho em temperaturas elevadas, com aplicações em veículos elétricos, robótica, defesa, indústria aeroespacial e automação.
O estudo destaca que as terras raras pesadas continuam entre os principais gargalos estratégicos das cadeias ocidentais. A cadeia global permanece fortemente concentrada na China, da mineração ao processamento, separação e produção de ímãs.
A projeção é de produção média de 247 toneladas anuais de disprósio e térbio contidos no concentrado, além de 989 toneladas anuais de ítrio. Nos primeiros cinco anos em ritmo normal, a produção de DyTb deve chegar a cerca de 274 toneladas por ano.
Segundo estimativas da Benchmark Mineral Intelligence citadas pela BRE, a oferta global de disprósio e térbio fora da China deverá alcançar 1.316 toneladas anuais em 2031.
Mina compacta e refinaria
O estudo prevê uma operação de menor complexidade em Monte Alto, com mineração convencional, britagem, peneiramento e separação de minério por sensores. Não haverá processamento químico no local da mina.
O material beneficiado será transportado até Camaçari, onde a companhia planeja instalar a estrutura de processamento e separação. Segundo o estudo, o complexo petroquímico oferece infraestrutura industrial, energia, água, logística, reagentes e mão de obra especializada.
No modelo “hub-and-spoke”, a mina concentra o beneficiamento, enquanto as etapas químicas e de separação ficam em Camaçari.
A BRE também firmou com a francesa Carester acordo vinculante de dez anos para a compra de parte da produção. O contrato cobre concentrado contendo até 150 toneladas anuais de disprósio e térbio e estabelece uma rota comercial para o mercado europeu.
A Carester também presta suporte técnico para a futura refinaria em Camaçari.
Previsão para 2031
No cenário-base, a primeira produção integrada está prevista para 2031. A vida útil estimada do projeto é de 14 anos, com produção média anual de 5.276 toneladas de óxido de NdPr e 2.253 toneladas de concentrado de terras raras pesadas.
O investimento até a primeira produção é estimado em US$ 969 milhões, incluindo contingências. A cifra contempla o desenvolvimento de Monte Alto e a primeira fase da estrutura de Camaçari. O estudo é uma avaliação preliminar, com precisão estimada de aproximadamente ±40%, e ainda depende de estudos mais avançados, licenças, financiamento e execução.
A companhia pretende avançar para a etapa de pré-viabilidade. O cronograma prevê a decisão final de investimento em meados de 2029, com objetivo de iniciar a produção integrada em 2031.