Ferrovias
VLI inicia transporte de ferro-gusa de Minas Gerais ao Espírito Santo
Operação começou neste segundo semestre e integra ferrovia e porto; projeto desenvolvido com Vports e Multilift recebeu R$ 130 mi
A VLI iniciou, neste segundo semestre, o transporte de ferro-gusa de Minas Gerais para o Espírito Santo por uma nova rota ferroviária. A operação conecta a produção mineira aos terminais da Vports, autoridade portuária privada que administra os portos do Espírito Santo, e recebeu R$ 130 milhões em investimentos. O projeto foi desenvolvido em parceria com a Vports e a Multilift, empresa que atua no Porto de Vitória.
A carga é transportada pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) até os terminais da Vports, onde o ferro-gusa é descarregado por meio de uma moega ferroviária e encaminhado para embarque. A estrutura permite a integração direta entre a ferrovia e o porto, criando uma alternativa logística para as exportações da commodity.
A moega faz parte da infraestrutura ferroviária entregue pela Vports em 2024. Os trilhos receberam R$ 16 milhões em investimentos e são conectados à Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e à FCA, permitindo a chegada das cargas ferroviárias aos terminais portuários.
A conexão com o porto também amplia as possibilidades de exportação. O ferro-gusa poderá ser embarcado em navios com capacidade de até 55 mil toneladas. Como os terminais possuem calado para receber embarcações maiores, a operação pode aumentar a eficiência dos embarques e reduzir o custo logístico por tonelada.
Além de criar um novo fluxo de transporte, a operação busca melhorar o aproveitamento da ferrovia nos dois sentidos. No retorno para Minas Gerais, os trens deverão transportar cerca de 30 mil toneladas de coque por mês. Dessa forma, a carga que segue para o Espírito Santo é complementada por um fluxo no sentido contrário, reduzindo a necessidade de viagens de retorno sem carga.
A nova operação faz parte do Corredor Leste da VLI, que conecta o Triângulo Mineiro ao sistema portuário capixaba pela FCA. No último ano, o corredor movimentou cerca de 16 bilhões de TKU (toneladas por quilômetro útil), alta de 10,5% em relação a 2024. A estrutura movimenta, ao todo, cerca de 28 milhões de toneladas por ano.
A entrada em operação ocorre em um momento de crescimento das exportações brasileiras de ferro-gusa. Em 2025, o Brasil embarcou cerca de 4 milhões de toneladas do produto, alta de quase 8% em relação ao ano anterior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. As vendas externas movimentaram R$ 8,9 bilhões.
Minas Gerais responde por aproximadamente 70% das exportações brasileiras. O estado exportou 2,84 milhões de toneladas de ferro-gusa em 2025, no valor de R$ 6,2 bilhões. Os Estados Unidos foram o principal destino, com cerca de 3,36 milhões de toneladas, mais de 80% do total exportado pelo país.
A concentração das vendas no mercado norte-americano, porém, aumenta a necessidade de diversificação. No ano passado, as exportações brasileiras para a Itália cresceram de cerca de 500 toneladas para mais de 127 mil toneladas, enquanto a Argentina importou 139 mil toneladas, quase nove vezes o volume registrado em 2024.
Para a VLI, a integração entre ferrovia e porto aumenta a competitividade da cadeia ao combinar uma alternativa de transporte de menor emissão de carbono com a possibilidade de utilização de navios maiores. Para a Vports e a Multilift, a iniciativa também amplia o potencial do Espírito Santo para receber novos fluxos de cargas e fortalecer sua posição como corredor de exportação.
A nova operação integra ainda um ciclo mais amplo de investimentos da VLI nos dois estados. A companhia prevê aplicar cerca de R$ 600 milhões para atuar como Agente Transportador Ferroviário de Cargas (ATF-C) na Estrada de Ferro Vitória a Minas. Os recursos serão destinados à aquisição de locomotivas e vagões, adaptações operacionais e contratações em Minas Gerais e no Espírito Santo.