Sul Export
Petrobras prevê investimentos em novas plataformas até 2031
Empresa mantém ritmo de duas a três unidades por ano e prevê novos projetos de Búzios, Tupi e campos maduros
A Petrobras prevê manter nos próximos anos um ciclo contínuo de contratação e instalação de plataformas, com projeções que se estendem até 2031 e sustentam a demanda por fornecedores da cadeia naval e offshore. Segundo a companhia, o ritmo observado desde 2025 é de duas a três unidades instaladas por ano, enquanto cerca de oito a nove novas plataformas estão previstas para o período subsequente.
O cenário foi apresentado pelo gerente-geral de Estratégia de Contratação da Petrobras, Marcelo De Carvalho Bonniard, durante o painel “Estratégia, cadeia de suprimentos e sustentabilidade no setor naval da região Sul”, realizado no Sul Export 2026.
Entre os projetos em contratação ou recém-contratados estão as plataformas SEAP 1 e 2, destinadas ao desenvolvimento de Sergipe Águas Profundas, além da unidade de substituição para a revitalização do campo de Albacora. Para março de 2027, está prevista a abertura de preços para o módulo 12 de Búzios, considerado pela Petrobras o principal projeto de desenvolvimento da companhia em razão de sua escala e relevância estratégica.
A empresa também prevê lançar, em 2027, licitações para a revitalização do campo de Tupi. Outros projetos, envolvendo Marlim Sul, Marlim Leste e Caratinga, estão em fase de estudos e têm expectativa de chegar ao mercado entre 2027 e 2028.
Projetos de longo prazo
Para Bonniard, a perspectiva de novos projetos reforça a importância da construção de relações de longo prazo entre a Petrobras e os fornecedores nacionais. Segundo ele, o desenvolvimento de um projeto de petróleo pode levar de três a sete anos entre a descoberta e o início da produção.
“O mercado local torna-se um ator estratégico nesse cenário. Especialmente no contexto global atual, caracterizado por maiores incertezas, contar com parceiros locais representa uma fortaleza”, afirmou.
O executivo defendeu que o conteúdo local seja tratado não apenas como uma exigência contratual, mas como parte da estratégia de desenvolvimento dos projetos e de sustentação dos investimentos da companhia.
A perspectiva também abre espaço para empresas instaladas na região Sul. A Techint, por exemplo, mantém uma unidade offshore em Pontal do Paraná desde a década de 1980. A estrutura ocupa 218 mil metros quadrados e conta com unidade de fabricação e um cais de 300 metros de extensão, com calado de 9 metros.
Segundo o diretor de Negócios e Projetos Offshore da Techint, Thiago de Oliveira Castro, a estrutura paranaense foi preparada para atender projetos de maior porte e pode participar da cadeia de fornecimento associada às novas plataformas.
“Embora um percentual de 25% possa parecer modesto à primeira vista, ele representa um volume expressivo de trabalho quando desdobrado nos módulos que compõem uma plataforma”, afirmou Castro.
De acordo com o executivo, uma plataforma pode envolver de oito a dez módulos, o que amplia o impacto da exigência de conteúdo local sobre empregos, arrecadação e fornecedores.
Para a Techint, a localização no Paraná também é um fator de competitividade. A empresa destaca a proximidade com fabricantes de estruturas metálicas e equipamentos instalados no Estado.
“Temos o privilégio de estar sediados no Paraná, um estado que dispõe de uma infraestrutura robusta, com fábricas de estruturas metálicas próximas e fabricantes de equipamentos de ponta em Curitiba”, disse Castro.