Brasil Export
Conteúdo local abre espaço para fornecedores brasileiros no offshore
Petrobras e Techint veem oportunidade para ampliar participação nacional na fabricação de módulos e equipamentos para novas plataformas
A exigência de conteúdo local em projetos de petróleo e gás pode representar uma oportunidade para ampliar a participação de fornecedores brasileiros, especialmente em segmentos ligados à fabricação de módulos e equipamentos para plataformas. A avaliação foi apresentada por executivos da Petrobras e da Techint durante o painel “Estratégia, cadeia de suprimentos e sustentabilidade no setor naval da região Sul”, no Sul Export 2026.
Para a Petrobras, a participação de empresas nacionais deve ser analisada dentro de uma estratégia de longo prazo. O gerente-geral de Estratégia de Contratação da Petrobras, Marcelo De Carvalho Bonniard, afirmou que projetos de exploração e produção podem levar de três a sete anos entre a descoberta e o início da produção, o que exige relações duradouras entre a companhia e seus fornecedores.
“Trata-se de uma indústria que demanda investimentos de longo prazo. Para nós, estabelecer relacionamentos baseados na confiança é fundamental”, afirmou Bonniard.
Segundo o executivo, o ambiente internacional de maior incerteza reforça a importância de contar com uma base de fornecedores locais. Nesse contexto, a Petrobras considera o conteúdo local mais do que uma obrigação prevista nos contratos.
“É sob essa perspectiva que encaramos o conteúdo local: muito além de uma obrigação formal estabelecida desde a licitação dos campos, trata-se de uma aliança indispensável para a sustentabilidade dos negócios da Petrobras”, disse.
Cadeia de fornecedores
A avaliação encontra correspondência na estratégia da Techint, que atua há mais de 40 anos no segmento offshore e mantém uma unidade em Pontal do Paraná. A empresa afirma ter concluído mais de 300 projetos em parceria com a Petrobras e mantém no Estado uma estrutura de 218 mil metros quadrados, com unidade de fabricação e cais próprio.
O diretor de Negócios e Projetos Offshore da Techint, Thiago de Oliveira Castro, afirmou que grandes projetos de plataformas são disputados principalmente por empresas asiáticas, que podem buscar parceiros brasileiros para atender às exigências de conteúdo local.
“Estas organizações buscam parceiros no Brasil justamente para cumprir as exigências de conteúdo local, o que movimenta toda a nossa cadeia de suprimentos”, afirmou Castro.
Para o executivo, mesmo percentuais que possam parecer reduzidos ganham relevância quando aplicados à estrutura de uma plataforma. Segundo Castro, uma unidade pode ser dividida em oito a dez módulos, criando uma demanda significativa para fabricantes, prestadores de serviços e trabalhadores.
“Embora um percentual de 25% possa parecer modesto à primeira vista, ele representa um volume expressivo de trabalho quando desdobrado nos módulos que compõem uma plataforma”, disse.
Base
O Estado do Paraná aparece, na avaliação da Techint, como uma possível base para a fabricação desses componentes. A companhia cita a existência de fornecedores de estruturas metálicas e fabricantes de equipamentos em Curitiba, além da estrutura offshore instalada em Pontal do Paraná.
“Essa localização privilegiada nos confere a competência e a capacidade técnica necessárias para atender com êxito aos requisitos de conteúdo local na fabricação de módulos”, afirmou Castro.
A perspectiva ganha relevância diante do cronograma de novos projetos da Petrobras. A companhia prevê novas plataformas para Sergipe Águas Profundas, Búzios e revitalizações de campos maduros, com projetos previstos para chegar ao mercado entre 2027 e 2028. O planejamento apresentado pela empresa também aponta continuidade das instalações de FPSOs até 2031.