Aeroportos
Guarulhos poderá ser o 1º aeroporto do País com sistema antidrones
Governo prepara estrutura para detectar, monitorar, mitigar e neutralizar aeronaves não autorizadas; ocorrências com drones cresceram 83,87% em 2025
O Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) poderá ser o primeiro do País a receber um sistema específico para detectar, monitorar, mitigar e neutralizar drones. O Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou neste mês à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) diretrizes para a implantação da estrutura, que deverá ser adquirida e operada pela concessionária do aeroporto em articulação com órgãos federais de segurança e fiscalização.
A escolha de Guarulhos considera a relevância do aeroporto para a malha aérea nacional e o histórico de ocorrências envolvendo drones nas proximidades da unidade. A estrutura deverá contar com mecanismos para identificar aeronaves não autorizadas, acompanhar sua aproximação e permitir a adoção das medidas previstas nos protocolos de segurança.
A implantação deverá envolver Anac, Polícia Federal, Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), Receita Federal e Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A iniciativa ocorre em um cenário de aumento das ocorrências envolvendo drones no sistema de aviação civil. Dados do Decea mostram que foram registrados 57 casos no País em 2025, alta de 83,87% em relação ao ano anterior. As ocorrências representaram 12,1% das 471 ocorrências de segurança da aviação civil contabilizadas pelo órgão no período.
Segundo o Decea, o crescimento está relacionado à utilização indevida de aeronaves remotamente pilotadas em áreas sensíveis do sistema de aviação civil.
Segurança
O avanço do uso de drones acrescenta uma nova camada aos sistemas tradicionais de proteção de instalações de infraestrutura. Para Hen Harel, CEO e fundador da Ôguen e especialista em segurança perimetral e tecnologias antidrone, empresas e operadores precisam incorporar o espaço aéreo aos protocolos de proteção.
“Quando uma aeronave não autorizada se aproxima de uma instalação sensível, o primeiro passo é conseguir detectá-la, identificar de onde vem e entender seu comportamento com antecedência suficiente para acionar o protocolo adequado”, afirma.
A proteção pode combinar tecnologias como radar, análise de radiofrequência, sensores ópticos e sistemas de monitoramento. A resposta, porém, não se resume à neutralização da aeronave. Dependendo do ambiente, a identificação do equipamento, o acompanhamento de sua trajetória, o registro da ocorrência e o acionamento das autoridades podem ser etapas do protocolo de segurança.
O próprio governo federal reforçou, em agosto, as regras para operação de drones no País. O novo Regulamento Brasileiro de Aviação Civil (RBAC) nº 100, da Anac, organiza as operações em três categorias, conforme o nível de risco. “A proteção moderna passa por integrar tecnologia, monitoramento humano e procedimentos claros antes que uma invasão aérea aconteça”, conclui Harel.