Portos
Vports prepara expansão ferroviária para sustentar crescimento
Concessionária prevê R$ 150 milhões em quatro intervenções próximas a Capuaba e estuda dobrar capacidade da pera ferroviária, de 45 para 90 vagões
A Vports prepara uma expansão da infraestrutura ferroviária de acesso aos portos do Espírito Santo para acompanhar o crescimento da movimentação de cargas no complexo. A concessionária prevê investir cerca de R$ 150 milhões em quatro intervenções próximas ao Porto de Capuaba, em Vila Velha, e estuda dobrar, de 45 para 90 vagões, a capacidade da pera ferroviária interna.
Responsável pelos terminais de Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho, a empresa já soma R$ 1,6 bilhão em investimentos realizados e contratados em 18 projetos até o primeiro semestre de 2027. A movimentação, que estava em cerca de 7 milhões de toneladas anuais quando a gestão privada assumiu o complexo, em setembro de 2022, deve chegar a 9 milhões de toneladas neste ano.
A meta é alcançar 10 milhões de toneladas movimentadas por ano até 2029 e, no longo prazo, chegar a 20 milhões de toneladas. Para sustentar esse crescimento, a Vports avalia intervenções nos acessos ferroviário e rodoviário e no canal de navegação.
As quatro intervenções previstas no entorno de Capuaba fazem parte do planejamento para ampliar a capacidade de acesso ferroviário aos portos. A Vports também trabalha na expansão da pera ferroviária interna, que atualmente comporta até 45 vagões e poderá receber até 90 após as adequações.
A estrutura é utilizada para as operações ferroviárias dentro do complexo e sua ampliação busca acompanhar o aumento da movimentação de cargas.
Neste ano, a Vports também colocou em operação uma nova estrutura para movimentação de ferro-gusa no Porto de Capuaba. O equipamento utiliza a conexão ferroviária existente entre o Espírito Santo e Minas Gerais e amplia as possibilidades de movimentação desse tipo de carga pelo complexo.
Segundo o diretor-presidente da Vports, Pedro Benevides, a expansão da infraestrutura precisa ocorrer de forma integrada entre ferrovia, rodovia e canal de navegação.
Acessos rodoviários e canal
A concessionária também estuda a implantação de um pátio de triagem para caminhões nas proximidades do porto. A estrutura teria como objetivo organizar o fluxo de veículos e evitar que o crescimento das operações aumente a pressão sobre os acessos rodoviários e a circulação no entorno do complexo.
Outra frente em avaliação envolve o canal de navegação da Baía de Vitória. Os estudos consideram o aumento do calado e da largura de acesso para permitir a operação de embarcações maiores.
Atualmente, o canal possui calado de 12,5 metros, e a empresa avalia a possibilidade de chegar a pelo menos 13 metros. Também estão sendo analisadas condições para receber navios com boca de até 38 metros, ante os 32 metros considerados atualmente.
Para viabilizar parte das intervenções, a Vports negocia com o Governo Federal a possibilidade de converter valores da outorga em investimentos no próprio complexo. Os pagamentos fixos e variáveis estão atualmente na faixa de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões por ano.
A participação do Governo do Espírito Santo em obras consideradas estratégicas para a infraestrutura regional também está em avaliação.
Além da expansão da infraestrutura, a Vports busca novos negócios para o complexo, entre eles operações de exportação de petróleo bruto e a implantação de um terminal de líquidos.
Segundo Benevides, os ativos incorporados ao complexo por meio dos investimentos permaneceriam com a União ao fim da concessão.