Portos
VPorts projeta chegar a 20 milhões de toneladas com gestão privada
Empresa prevê elevar movimentação de 8 milhões para 13 milhões de toneladas até 2030; experiência da concessão é discutida como possível referência para outros portos
A VPorts projeta ampliar a movimentação dos portos organizados de Vitória e Barra do Riacho, no Espírito Santo, de cerca de 8 milhões de toneladas atualmente para 13 milhões de toneladas até 2030 e chegar a 20 milhões de toneladas ao final da concessão. A projeção foi apresentada nesta quarta-feira (1º), durante debate promovido pela Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT) sobre os primeiros quatro anos do modelo adotado no Espírito Santo.
A diretora jurídica e regulatória da VPorts, Adriana Pessotti, afirmou que a empresa já superou a fase inicial de implantação da concessão e concentra esforços na expansão da capacidade e na preparação do que classificou como “porto do futuro”. “A gente sabe que a gente tem um porto com algumas limitações, mas a gente quer crescer”, afirmou.
Segundo Adriana, os dois primeiros anos da concessão foram marcados principalmente pelo cumprimento das obrigações previstas no contrato, incluindo obras e adequações. De acordo com a empresa, os compromissos foram concluídos dentro dos prazos estabelecidos. A etapa atual é voltada à ampliação da movimentação e à diversificação das cargas.
A VPorts administra os portos de Vitória e Barra do Riacho sob o modelo landlord. Nesse formato, a autoridade portuária fica responsável pela gestão da infraestrutura e pela administração do porto organizado, enquanto operadores privados exploram instalações e movimentam as cargas. “Não foi simplesmente a privatização da empresa. Foram duas ações coordenadas: a desestatização da Codesa e a empresa privada recebeu o contrato de concessão da área do porto organizado”, afirmou Adriana.
Meta de expansão
A movimentação atual está próxima de 8 milhões de toneladas, segundo a diretora, com expectativa de alcançar aproximadamente 9 milhões de toneladas ainda neste ano. A previsão é chegar a 13 milhões de toneladas em 2030 e a 20 milhões de toneladas ao término da concessão.
Para sustentar o crescimento, a autoridade portuária aposta na característica multipropósito do complexo e na diversificação das cargas. Entre os produtos movimentados estão contêineres, café, granito, ferro-gusa, granéis minerais, granéis vegetais e líquidos.
A expansão também ocorre em um contexto de investimentos em infraestrutura. A VPorts já contabiliza R$ 1,6 bilhão em investimentos realizados e contratados em 18 projetos até o primeiro semestre de 2027.

Debate avalia primeiros anos do modelo e discutiram possibilidade de replicação em outras autoridades portuárias
Modelo em avaliação
Durante o debate da ANUT, a experiência da VPorts também foi discutida como possível referência para mudanças na gestão de outras autoridades portuárias.
Para o diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) e presidente do Conselho Sudeste Export, Jesualdo Silva, os resultados apresentados até agora indicam uma avaliação positiva entre usuários e associados da entidade, embora o modelo ainda esteja em fase de amadurecimento.
“Eu diria o seguinte: ainda temos pouco tempo de concessão, o modelo ainda está no processo de amadurecimento. Mas o que nós temos recebido aqui dos nossos associados (…) é que, de fato, está se passando bastante positivo”, afirmou.
Silva também destacou a autonomia das autoridades portuárias no modelo landlord e comparou a experiência brasileira a formatos adotados em outros mercados.
O presidente executivo da ANUT, Luiz Baldez, citou a experiência da VPorts nas discussões sobre possíveis mudanças na gestão de outras autoridades portuárias. Durante o debate, ele mencionou a possibilidade de uma eventual concessão da autoridade portuária de Santos e modelos que preservem participação pública na estrutura societária.
O consultor Ângelo Baptista afirmou que a experiência da antiga Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) foi concebida como um modelo inovador no país. Segundo ele, os quatro primeiros anos permitem avaliar os resultados e identificar eventuais ajustes antes de uma possível replicação. “A gente tem aqui uma oportunidade agora também para avaliar e, eventualmente, propor mudanças”, afirmou.