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Paixão pelo mar e pela vida

Atualizado em: 3 de outubro de 2026 às 9:07
Ivani Cardoso Enviar e-mail para o Autor

Quando Fábio Mello Fontes nasceu no dia 10 de maio de 1939, alguns meses antes do início oficial da Segunda Guerra Mundial, Santos celebrava o seu primeiro centenário de elevação da categoria vila para cidade, enquanto o Porto vivia um tempo de grandes transformações e intensa movimentação institucional, econômica e política.

Os navios mercantes estrangeiros (principalmente europeus e norte-americanos) faziam filas no cais santista para escoar os estoques de café e açúcar da safra brasileira o mais rápido possível, temendo o fechamento iminente das rotas marítimas pelo Atlântico.

Talvez inspirado por essa atmosfera inquieta, Fábio nasceu sob o signo de Touro com uma intensa sede de viver tudo o que a vida pode oferecer, o que caracteriza bem sua natureza aventureira e inquieta. Quem tem Touro no mapa, dizem os astrólogos, geralmente se sente confortável em lugares com conexão com a natureza.

No caso de Fábio, a natureza veio embalada pelo mar que desde a infância e até hoje o acompanha. Garoto, por volta dos 10, 11 anos de idade, quando ainda morava na Euclides da Cunha, vinha para a Ponta da Praia ficar na ponte dos práticos olhando fascinado a entrada e saída de navios. Sempre pensava que um dia queria muito estar dentro deles.

Era ali o seu ponto de chegada diário quando saía com sua bicicleta. A paixão pelo mar continua mesmo depois de tantas décadas atuando como prático e atual presidente da Praticagem de São Paulo, em seu oitavo mandato.

Eu, que adoro contar histórias, mergulhei nesses relatos para fazer com uma equipe maravilhosa, coordenada pelo jornalista José Rodrigues, a biografia “Fábio Mello Fontes – Uma lenda dos mares”, que terá tarde de autógrafos nesta quarta (7/10) no Fórum Brasil Export, em Brasília. O livro foi lançado em Santos com muito sucesso e Fábio está entusiasmado com a possibilidade de estar com pessoas do setor de logística portuária nesse lançamento especial.

A vida de Fontes é muito rica e ele tem tanto para contar que seria impossível reunir tudo o que já viveu em apenas um livro. Procuramos mostrar os principais momentos de sua vida pessoal e profissional, que começou quando escolheu entrar na Escola da Marinha Mercante do Rio de Janeiro, em 1958.

Em abril de 1968 Fontes fez sua última viagem como oficial e decidiu virar a mesa e mudar de vida. Deixou o Rio de Janeiro e lá a esposa e os três filhos pequenos e voltou para Santos, morando na casa dos pais, para se preparar para o concurso de prático.

Foram meses difíceis. Debruçado nas cartas náuticas, estudava a geografia da região decorada, todos os detalhes, marés, correntes, ventos, o canal do Porto. “De abril de 68 a janeiro de 69 só tinha olhos para os estudos, 16 horas por dia, inclusive Natal e Ano Novo. Falava com minha esposa e filhos por telefone”, conta.

Tanto sacrifício deu certo e em janeiro de 1969 ele começou a atuar como prático. Ele tem um enorme orgulho do que faz e da praticagem: “Os práticos de Santos têm fama no mundo inteiro. Um Comandante Chileno, recentemente, conversando comigo dizia: Olha prático, eu tenho percorrido o mundo inteiro, EUA, Canadá, Austrália, Japão, China. Tenho navegado muito por estes mares. Mas hoje, em primeiro lugar, eu ponho os práticos brasileiros, até na frente do meu País, em expertise e domínio de manobra os práticos brasileiros estão em primeiro lugar.”

Além do trabalho, o amor pelo mar também está presente em seu maravilhoso acervo de mais de 150 maquetes, que coleciona desde 1960 e sabe que será um grande legado que deixará.

Atualizado com a tecnologia e com o mundo à sua volta, é dronista e fotógrafo talentoso e respeitado. Mesmo quando fala em Inteligência Artificial, destaca o lado positivo: “Não dá para fugir, quando bem utilizada com ética e sabedoria, a IA representa ferramentas para uma vida melhor.”

O prático que ainda aos 87 tem uma ótima saúde e ainda não resolveu quando parar, se diz o homem mais feliz do mundo. “Tudo o que eu fiz até agora eu amei de paixão. O mar me acompanha desde pequeno. Nunca tive medo do mar, só respeito. Aprendi a lidar com ele. Na profissão, há ferramentas do conhecimento para levar o mar, até nas grandes e assustadoras tempestades”. E dá para imagina quantas ele enfrentou depois de mais de 30 mil manobras.

Para ele, o mar faz parte de sua personalidade e sua existência: “Foi em função dele que eu tive meios para amar uma mulher, formar uma família, ter meus filhos, manter a família. O mar trouxe muitas alegrias e emoções ao longo da jornada da vida que ainda estou percorrendo.”

O livro é uma cortesia da Praticagem de São Paulo, mas você pode colaborar e fazer uma contribuição para o Centro Comunitário da Conceiçãozinha (Tia Nice) pelo PIX do CNPJ:

52.252.723/0001-81

Serviço

Uma lenda dos mares / Fábio Mello Fontes. —

Santos, SP: Página Consultoria e Editorial, 2026.

ISBN 978-65-975898-0-7

Realização: Praticagem de São Paulo

Coordenação: José Rodrigues

Edição e textos: Ivani Cardoso e Maria Fernanda Rodrigues

Foto de capa: Araquém Alcântara

Projeto gráfico e design: Maria Luiz de C. Rodrigues

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