Aviação
Da manutenção de aeronaves à divulgação: a trajetória de Lito Sousa
Criador do canal Aviões e Músicas iniciou a relação com a aviação ainda adolescente, na Baixada Santista, antes de construir uma carreira de quase quatro décadas no setor
Antes de se tornar uma das principais referências brasileiras em divulgação sobre aviação, Lito Sousa iniciou sua relação com os aviões ainda adolescente, na Baixada Santista, litoral de São Paulo. Foi em Guarujá, onde cresceu, que o criador do canal Aviões e Músicas entrou em um curso técnico de manutenção de aeronaves e começou uma trajetória profissional que se estenderia por quase quatro décadas.
Lito morreu na quinta-feira (1º), aos 59 anos, em São Paulo. Especialista em aviação, mecânico de aeronaves, escritor e influenciador, ele havia sido diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma enfermidade neurodegenerativa rara.
A ligação com a região começou muito antes da carreira profissional. Em seu livro “Onde Morrem os Aviões”, Lito contou que morava em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá, e observava da janela da casa dos pais os navios atracados no Porto de Santos. Aos 14 anos, seu interesse estava mais voltado ao mar do que ao céu: ele queria ser engenheiro naval ou trabalhar com navios.
Em 1981, enquanto fazia a travessia de barca pelo canal entre Vicente de Carvalho e Santos, ficou particularmente impressionado com um cargueiro atracado no porto. Naquele período, porém, aproximava-se o momento de escolher uma formação profissional. Lito estudava na Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus da ALA 435, ao lado da Base Aérea de Santos, em Guarujá.
Entre as opções de formação técnica disponíveis estavam magistério, contabilidade e manutenção de aeronaves. A impossibilidade de seguir naquele momento o caminho da engenharia naval acabou aproximando o adolescente da aviação. Em 1982, ele participou da primeira aula do curso técnico de Manutenção de Aeronaves. Anos depois, recordaria que não imaginava que aquele seria o início de uma carreira de quase 40 anos no setor.
A formação incluía disciplinas como física, matemática, resistência dos materiais, aerodinâmica, estruturas de aviões e helicópteros, motores, eletrônica e inglês. O curso tinha ligação estreita com a Base Aérea de Santos e permitia aos estudantes contato direto com a rotina da manutenção aeronáutica.
Foi também nessa época que Lito ouviu uma frase que carregaria durante toda a carreira e posteriormente ajudaria a popularizar: “lá em cima não tem acostamento”. A expressão, usada por um de seus professores para enfatizar a responsabilidade envolvida na manutenção de uma aeronave, tornou-se uma referência frequente em suas explicações sobre segurança aérea.
Durante a formação, Lito fez estágio na própria Base Aérea de Santos. Em uma visita ao local em 2019, durante um evento de aviação, voltou ao hangar onde havia trabalhado e mostrou locais ligados ao início da carreira, entre eles o espaço onde engraxava rolamentos de rodas de aeronaves.
A passagem pela escola abriu caminho para o primeiro emprego na aviação comercial. Em fevereiro de 1986, aos 19 anos, Lito ingressou na Varig ao lado de outros profissionais formados na escola da Base Aérea. Ali começaria uma trajetória que depois incluiria Transbrasil e United Airlines e o transformaria em especialista em manutenção e segurança de voo.
Décadas depois, ao retornar à Base Aérea e contar essa história ao público, Lito tratava aquele período como o ponto de partida de sua vida profissional. O adolescente que observava os navios do Porto de Santos acabou encontrando, poucos metros adiante, nos hangares do Guarujá, a carreira pela qual se tornaria conhecido em todo o País.