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Mineração

Brasil precisa escolher onde competir na cadeia de minerais críticos

Atualizado em: 3 de outubro de 2026 às 10:05
Da Redação Enviar e-mail para o Autor Estadão Conteúdo

Otavio Carvalheira defende foco em segmentos com capacidade de atrair capital, desenvolver tecnologia e integrar o País às cadeias globais

O Brasil não precisa tentar dominar todas as etapas das cadeias de minerais críticos para transformar sua riqueza geológica em indústria, mas terá de escolher onde possui condições de competir, atrair capital e desenvolver tecnologia. A avaliação é de Otavio Carvalheira, conselheiro e sênior advisor em Mineração, Metais e Minerais Críticos, que defendeu uma estratégia baseada em escolhas de longo prazo e na integração do país às cadeias globais.

Durante a palestra “O Brasil e a Nova Economia — o papel estratégico dos minerais críticos”, no evento Minerais Críticos — Agenda 2030, promovido pela Associação de Minerais Críticos (AMC), nesta quarta-feira (30), em São Paulo, Carvalheira afirmou que a corrida por esses recursos abre uma janela de oportunidade para o Brasil, mas advertiu que outros países também estão se movimentando.

“O Brasil precisa e faz parte de cadeias internacionais. E a gente precisa dessa conexão global. Precisamos fazer escolhas”, afirmou.

Para Carvalheira, o país pode aprender com experiências internacionais sem reproduzir modelos adotados por outras economias. Ao citar a China, destacou a capacidade de execução, o investimento em inovação e a construção de estratégias de longo prazo.

Carvalheira recorreu à trajetória da indústria brasileira do alumínio para mostrar que disponibilidade mineral, isoladamente, não assegura competitividade industrial.

Segundo ele, a construção dessa indústria permitiu ao país desenvolver uma cadeia integrada, com mineração, infraestrutura, transformação e reciclagem. Isso, entretanto, não impediu que o Brasil posteriormente perdesse competitividade.

A produção brasileira de alumínio primário chegou a cerca de 1,6 milhão a 1,7 milhão de toneladas em 2008, mas depois caiu para menos da metade daquele patamar. Entre os fatores apontados está a energia, decisiva para uma indústria eletrointensiva. A retração chegou a obrigar o país a importar alumínio primário para abastecer a própria cadeia.

Entre as condições necessárias para transformar recursos minerais em investimentos, Carvalheira destacou maior previsibilidade nos processos de aprovação dos projetos.

“Quando eu falo de celeridade, eu quero deixar muito claro: celeridade não significa queimar etapas [nem] baixar o nível de exigência socioambiental”, afirmou.

Segundo ele, celeridade significa estabelecer processos claros, com prazos definidos. “É impossível — e eu tenho experiências em que já vi dez anos para obtenção de uma licença prévia. Isso é absolutamente impraticável em qualquer ambiente”, disse.

Cinco pilares

Carvalheira apontou cinco pilares necessários para o avanço do Brasil: papel do Estado e segurança jurídica; tecnologia e indústria; capital; sustentabilidade; e conexão global.

No primeiro, defendeu segurança jurídica e condições para atrair investimentos. No campo tecnológico, propôs maior aproximação entre indústria e universidades e a recuperação de competências em diferentes segmentos minerais.

O financiamento apareceu como outro gargalo. Carvalheira observou que grande parte das empresas juniors que atuam no país captaram recursos no exterior. Para ele, isso mostra que os projetos brasileiros despertam interesse internacional, mas também evidencia a necessidade de aproximar o mercado de capitais brasileiro da mineração.

A questão ganha importância nas etapas iniciais, quando empresas juniors enfrentam o chamado “vale do risco”, período em que os projetos demandam capital antes da fase operacional. Carvalheira defendeu mecanismos de investimento e garantia para ajudar essas companhias a atravessar essa etapa.

Sustentabilidade

Com base em sua experiência profissional na Amazônia, Carvalheira defendeu um modelo no qual os projetos sejam desenvolvidos com participação das comunidades e compartilhamento de resultados. “O Brasil precisa e faz parte de cadeias internacionais”.

No último pilar, Carvalheira contestou a ideia de que o Brasil deva buscar autossuficiência integral em todas as etapas dos minerais críticos.

“Esse mundo não existe e acho que nunca existiu no passado. Países que fizeram isso foram claramente deixados para trás. O Brasil precisa e faz parte de cadeias internacionais”, afirmou.

Para ele, o país possui vantagem ao manter relações econômicas e comerciais com diferentes parceiros. “Precisamos fazer escolhas. Eu acho que nós temos o privilégio e o histórico de poder negociar e tratar com vários países do mundo e isso precisa ser mantido”, disse.

Carvalheira também defendeu parcerias nacionais e internacionais para reduzir a concentração das cadeias de minerais críticos e diminuir a dependência em relação à China. Para ele, a resposta não está na independência absoluta, mas na diversificação das cadeias e na construção de alianças.

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TAGS mineração minerais críticos Otavio Carvalheira
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