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Ricardo Arten

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Infraestrutura que acompanha o ritmo da logística

Para quem administra um porto, crescer não pode significar apenas colocar mais carga dentro da mesma estrutura. Crescimento sustentável exige antecipação. É preciso olhar para onde a demanda está indo, identificar os pontos que podem limitar a operação e investir antes que eles se transformem em problemas.

Em uma operação portuária, alguns dos avanços mais importantes acontecem justamente nos pontos que o público quase não vê. O acesso dos caminhões ao terminal é um deles. É ali que uma cadeia logística extensa encontra a operação portuária e onde decisões de infraestrutura, tecnologia e planejamento podem fazer diferença no tempo, na segurança e na previsibilidade de toda a cadeia.

A inauguração do novo gate de entrada do Porto Itapoá parte dessa visão. A nova estrutura foi concebida para separar definitivamente os fluxos de chegada e saída de caminhões. São oito acessos exclusivos para entrada, enquanto o gate que já existia passa a ser utilizado apenas para a saída. Hoje, o terminal registra cerca de 2 mil acessos de caminhões por dia. Com a nova configuração, a capacidade instalada poderá chegar a 3 mil acessos diários.

Ampliar a capacidade instalada não significa que vamos ocupar imediatamente todo esse espaço operacional. Existe uma curva natural de utilização, que acompanha o comportamento da demanda. O que estamos fazendo é preparar a infraestrutura para que o crescimento aconteça de forma organizada, sem que a expansão da movimentação precise esperar uma nova intervenção no acesso.

Essa lógica é importante porque a logística trabalha com conexões. Um caminhão que chega ao terminal não está em uma operação isolada. Ele traz uma carga que saiu de uma indústria, de um centro de distribuição ou de uma propriedade rural e que, depois de passar pelo porto, seguirá para outro destino. Qualquer ganho de previsibilidade em uma etapa pode contribuir para o funcionamento das etapas seguintes.

A separação entre entrada e saída também muda a experiência de quem está na operação. Quando fluxos distintos deixam de disputar o mesmo espaço, fica mais simples organizar a circulação, reduzir interferências e dar maior previsibilidade aos deslocamentos. Para o motorista, isso representa uma rotina mais clara. Para o terminal, significa melhores condições para planejar e controlar o acesso.

O novo gate incorpora sistemas de reconhecimento automático de veículos e motoristas, além de recursos para identificação e controle de acesso. A estrutura também foi planejada com tecnologias como leitura automática de placas e contêineres, balanças e cabines automatizadas. Antes dos gates, o Portal Pré-Gate faz a leitura antecipada dos dados dos veículos por meio de câmeras de alta resolução.

Investir em tecnologia significa usar informação para tomar decisões mais rápidas e aumentar o controle sobre uma operação que envolve pessoas, equipamentos, cargas e veículos. Segurança e eficiência caminham juntas quando os processos são desenhados para reduzir incertezas.

Esse investimento no acesso faz parte de um movimento maior. O Porto Itapoá está avançando na Fase IV de sua expansão, com investimentos previstos de R$ 500 milhões. O projeto contempla a incorporação de 120 mil metros quadrados de pátio e a ampliação da estrutura de equipamentos, incluindo o oitavo portêiner, 12 RTGs híbridos com operação remota e nove novos terminal tractors.

Não faria sentido ampliar o pátio, incorporar novos equipamentos e aumentar a capacidade de movimentação sem olhar para os demais pontos da operação. Um terminal eficiente precisa funcionar como um sistema. O ganho obtido em uma área perde parte de seu efeito se outra etapa se tornar um gargalo.

É por isso que pensamos a expansão como um conjunto. O novo gate prepara o acesso terrestre. A ampliação do pátio cria espaço para acompanhar o crescimento da movimentação. Os novos equipamentos aumentam nossa capacidade operacional e trazem mais automação para atividades críticas. Cada investimento tem uma função própria, e todos precisam conversar entre si.

Esse planejamento também considera o cenário do comércio exterior. A movimentação de cargas vem exigindo mais capacidade, velocidade e confiabilidade dos terminais. Em 2025, o Porto Itapoá encerrou o ano com 1,5 milhão de TEUs movimentados, resultado que reforça a dimensão que a operação alcançou e a necessidade de preparar a infraestrutura para os próximos ciclos de crescimento.

Para quem administra um porto, crescer não pode significar apenas colocar mais carga dentro da mesma estrutura. Crescimento sustentável exige antecipação. É preciso olhar para onde a demanda está indo, identificar os pontos que podem limitar a operação e investir antes que eles se transformem em problemas.

Essa é uma responsabilidade que vai além dos muros do terminal. Uma operação portuária mais previsível impacta transportadores, embarcadores, operadores logísticos, armadores e todos os demais participantes do comércio exterior. Também tem relação com a dinâmica da cidade e da região, especialmente quando falamos de circulação de caminhões e integração com a infraestrutura viária.

O novo gate representa, portanto, mais do que uma nova estrutura física. Ele é uma parte visível de uma decisão de longo prazo: preparar o Porto Itapoá para crescer com consistência, tecnologia e capacidade operacional compatível com o papel que o terminal vem ocupando na logística brasileira.

Vejo esse tipo de investimento como uma combinação de visão de futuro e responsabilidade sobre o presente. Precisamos atender bem à operação de hoje, ao mesmo tempo em que construímos as condições para a operação de amanhã. Isso exige planejamento, disciplina de investimento e disposição para rever processos continuamente.

O objetivo é claro: fazer com que infraestrutura e demanda avancem no mesmo ritmo. Quando conseguimos antecipar necessidades, organizar fluxos e aplicar tecnologia onde ela realmente melhora a operação, criamos um porto mais preparado para os desafios do comércio exterior e uma cadeia logística mais eficiente para todos que dependem dela.

Ricardo Arten. CEO do Porto Itapoá.

 

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