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Brasil Export

Aviação precisa deixar de ser vista como transporte de elite

6 de outubro de 2026 às 13:59
Vanessa Pimentel Enviar e-mail para o Autor

Para Fábio Rogério Carvalho, ampliar o acesso ao transporte aéreo é uma questão de impacto social e desenvolvimento

A aviação precisa ser vista para além do turismo e ter seu papel social reconhecido, inclusive com a ampliação do acesso da população ao transporte aéreo, segundo a avaliação feita pelo CEO da Aeroportos do Brasil (ABR), Fábio Rogério Carvalho. Ele participou do painel InfraESG | Os impactos da governança integrada e das ações de responsabilidade social no setor de infraestrutura, realizado nesta terça-feira (6), no Fórum Nacional Brasil Export, em Brasília.

Segundo Carvalho, a aviação está diretamente ligada à vida cotidiana e a serviços essenciais. Ele citou como exemplo o transporte de medicamentos, que em grande parte chega ao país por via aérea, além da agilidade proporcionada pelo modal em situações de emergência sanitária e na realização de procedimentos de saúde.

Para o executivo, um dos desafios do setor é aproximar a aviação da população e superar a percepção de que o transporte aéreo é destinado a uma parcela mais rica da sociedade. “A gente precisa tirar um pouco o conceito da elitização desse transporte para que isso seja uma coisa para todos os brasileiros”, afirmou.

Carvalho destacou que o Brasil ainda utiliza pouco o transporte aéreo e relacionou essa realidade aos impactos sociais da dependência do transporte rodoviário. Segundo ele, enquanto viagens de longa distância continuam sendo realizadas por rodovias, o país convive com um elevado número de acidentes e mortes nesse sistema.

Nesse contexto, o executivo defendeu que ampliar o acesso à aviação também pode ser compreendido como uma ação de responsabilidade social. Para ele, a discussão não deve considerar apenas quanto custa manter uma infraestrutura aeroportuária, mas também quanto custa para a sociedade não ter acesso a ela.

O CEO da ABR ressaltou ainda que aeroportos exercem influência direta sobre o desenvolvimento das cidades. Segundo estudos citados por ele, quanto maior a conexão aérea de um município, maior tende a ser seu Produto Interno Bruto (PIB). A ampliação das rotas também movimenta setores como turismo, comércio e serviços e beneficia comunidades que não necessariamente utilizam o avião com frequência. “Conectar uma cidade é conectar um mundo”, resumiu Carvalho, ao destacar que o impacto dos aeroportos vai além dos passageiros e alcança toda a cadeia econômica e social dos municípios atendidos.

A discussão também abordou outros aspectos do ESG na infraestrutura. Diretora de Relações Institucionais da Aegea Saneamento, Andréa Häggsträm Rodrigues destacou a relação direta entre saneamento e qualidade de vida. “O saneamento talvez seja, das infraestruturas, aquela que está diretamente conectada à vida das pessoas todos os dias e à melhoria da qualidade de vida”, afirmou.

Para a executiva, os impactos sociais e ambientais não podem ser analisados separadamente. Ela citou a necessidade de considerar o diálogo com as comunidades desde a implantação dos projetos e ressaltou que questões ambientais também produzem efeitos diretos sobre a população.

Diretora de Sustentabilidade da AXIA Energia, Marcia Massotti também defendeu a integração entre os aspectos ambiental e social nos projetos de infraestrutura. Ao abordar a relação com investidores e comunidades, afirmou: “O ambiental está totalmente ligado ao social, porque uma questão ambiental impacta a vida das pessoas. Então, no final, está tudo envolvido”.

Já Guilherme Peixoto, superintendente de Licitações da B3 e presidente do Conselho do São Paulo Export, ressaltou a importância de uma governança capaz de conciliar investimentos, rentabilidade e propósito. “A gente percebe a importância da governança para a atração desse capital que procura rentabilidade, mas que também procura propósito”, afirmou.

O painel teve moderação de Felipe Queiroz, diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

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