quarta-feira, 07 de outubro de 2026
Dolar Com.
Euro Com.
Libra Com.
Yuan Com.
Opinião

Artigos

Matheus Oliva

Clique para ver mais

Articulista

Transações, capital e financiamento em portos, óleo e gás e navegação

A semana começou com uma reprecificação geral dos ativos brasileiros. Na segunda-feira, primeiro pregão depois do primeiro turno, o Ibovespa subiu 7,70% e fechou a 206.911 pontos, acima de 200 mil pela primeira vez, enquanto o dólar caía 4,12%, a maior queda diária em oito anos. A forma do movimento diz mais que o tamanho: o DI de janeiro de 2027 quase não se mexeu, e o de janeiro de 2029 fechou 104 pontos-base. Não foi juro que cedeu, foi prêmio de risco. A euforia, porém, não alcançou as operações desta edição. A venda da CLI à AD Ports Group, por US$ 835 milhões, foi concluída em 2 de outubro sob contrato assinado em 2 de junho, com o preço travado quatro meses antes. Macquarie e IG4 saíram a 8,5 vezes o Ebitda de 2025, fecho de uma entrada feita em dezembro de 2020 por dívida reestruturada. Está aí a lição de alocação da semana. As dez operações reunidas abaixo foram decididas contra contratos, e não contra o humor de uma segunda-feira: afretamento de 25 anos, encomenda para 2030, aço com emprego fechado, regime fiscal carimbado por 25 anos em Vaca Muerta.

COMPRARAM   fusões e aquisições 2

  1. Abu Dhabi leva o corredor de grãos e açúcar que o private equity construiu

A AD Ports Group concluiu em 2 de outubro a compra de 100% da CLI Norte, em Itaqui, e de 80% da CLI Sul, com os terminais T16 e T19 em Santos, por US$ 835 milhões de valor de empresa; a Rumo mantém 20% da operação paulista. Venderam fundos da Macquarie Asset Management e da IG4 Capital, que entrara em 2020 pela via da dívida reestruturada. A CLI movimentou 17 milhões de toneladas em 2025, e o preço equivale a 8,5 vezes seu Ebitda. Controlada pela L’IMAD, do governo de Abu Dhabi, a compradora trata agroalimentos como vertical central, diz o presidente Mohamed Juma Al Shamisi. Aprovada por ANTAQ e Cade.

  1. C.H. Robinson compra a RXO por US$ 5,8 bilhões

A C.H. Robinson acertou em 5 de outubro a compra da RXO por US$ 5,8 bilhões, ou US$ 30,25 por ação, prêmio de 29% sobre o fechamento de 2 de outubro e de 27% sobre a média ponderada de noventa dias. A contrapartida padrão paga US$ 17,25 em caixa mais 0,0856 ação da compradora, e os acionistas da RXO ficam com 11% da companhia combinada. Dave Bozeman preside a C.H. Robinson e Drew Wilkerson, a RXO. Para o Brasil, a consolidação entre operadores logísticos americanos reduz o número de contrapartes de quem embarca para a América do Norte e desloca para fora do país a decisão sobre capacidade contratada.

INVESTIRAM   capex e decisões finais de investimento 4

  1. Vaca Muerta carimba US$ 12,4 bilhões em regime fiscal de 25 anos

O comitê avaliador do RIGI aprovou em 2 de outubro o projeto de US$ 12,4 bilhões da Pluspetrol com a estatal Gas y Petróleo del Neuquén no bloco Bajo del Choique–La Invernada, em Vaca Muerta, com desembolso ao longo de 25 anos. A primeira fase prevê 50 mil barris diários e 6 milhões de metros cúbicos de gás por dia, e a segunda ultrapassa 100 mil barris no pico, com mais de 620 poços horizontais para 794 milhões de barris equivalentes na vida útil. Julián Escuder dirige a Pluspetrol na Argentina. Para o Brasil, é mais oferta de gás competindo no Cone Sul, a montante do leilão estruturante de 2027.

  1. APM Terminals põe US$ 231 milhões em novo berço no Callao

A APM Terminals Callao vai aplicar US$ 231 milhões no Muelle 5C do Terminal Norte Multipropósito, dentro da etapa 3B de modernização, com conclusão prevista para 2028. O cais terá 440 metros de comprimento e 16 metros de profundidade, para receber navios acima de 20 mil TEU, e leva a capacidade do terminal de 1,7 milhão para até 2,2 milhões de TEU por ano, com 25% mais tomadas para contêineres refrigerados, num total de 2.000. Francesca De los Ríos chefia assuntos públicos da companhia. Para o Brasil, a costa do Pacífico segue ganhando calado e berço enquanto o leilão do Tecon Santos 10 não tem data.

  1. K Line encomenda dois metaneiros a US$ 247 milhões cada

A Kawasaki Kisen Kaisha encomendou em 5 de outubro à Samsung Heavy Industries dois metaneiros de 174 mil metros cúbicos por KRW 672,2 bilhões, ou US$ 494 milhões, cerca de US$ 247 milhões por navio, com entrega até o fim de maio de 2029. Os dois já saem com emprego contratado junto à Diamond Global Energy, subsidiária da Mitsubishi Corporation. Para o Brasil, o número importa como referência de custo, porque é contra o preço asiático de um navio equivalente que será lida qualquer encomenda de gaseiro que venha a disputar financiamento no Fundo da Marinha Mercante.

  1. Seaspan encomenda os mineraleiros do contrato de 25 anos da Vale

A Seaspan Corporation, do grupo Poseidon, encomendou em 5 de outubro ao estaleiro chinês Yangzijiang dois mineraleiros Newcastlemax de 210 mil toneladas de porte bruto, tricombustíveis a etanol, metanol e óleo combustível, para entrega em 2030. O preço não foi divulgado. Os navios serão operados pela Mitsui O.S.K. Lines em afretamento a casco nu de 25 anos, na rota de minério da Vale International. O desenho mostra como se financia carga brasileira hoje: o contrato de longo prazo da Vale é o colateral, o armador é canadense, o estaleiro é chinês e nenhuma etapa da cadeia passa pelo Brasil.

FINANCIARAM   crédito e project finance 2

  1. SFL encomenda amônia já afretada por US$ 216 milhões

A SFL encomendou em 6 de outubro dois transportadores de amônia de 93 mil metros cúbicos, bicombustíveis, por US$ 216 milhões, ou US$ 108 milhões por navio, com entrega no segundo trimestre de 2028. Os dois saem afretados a uma petrolífera europeia de grau de investimento não nomeada, o que adiciona no mínimo US$ 162 milhões à carteira contratada e traz opção de prorrogação por até quatro anos. O estaleiro não foi divulgado e Ole B. Hjertaker dirige a SFL Management. Para o Brasil, a estrutura é o ponto: três quartos do preço do navio já estão cobertos por contrato antes do primeiro corte de chapa.

  1. COSCO fecha casco nu de vinte anos a US$ 9,1 mil por dia

A COSCO Shipping Specialized Carriers aprovou em 30 de setembro afretar a casco nu, por cerca de vinte anos, seis navios multipropósito de carga pesada de 60 mil toneladas de porte bruto construídos pela Huanghai Shipbuilding, a US$ 9,1 mil por dia cada, impostos incluídos, perto de US$ 20 milhões por ano pelos seis. A arrendadora sairá de uma lista com CITIC, ICBC, CMB e CZBank Financial Leasing. No mesmo dia a companhia aprovou outros oito navios de igual porte no estaleiro de Dalian, por RMB 2,624 bilhões. Para o Brasil, que exporta componentes de energia eólica e cargas de projeto, essa frota é a oferta disponível e o preço de referência.

ENTRARAM E SAÍRAM   private equity e desinvestimento 2

  1. Oaktree zera a Torm a quase o dobro do que vendeu em dezembro

A OCM Njord Holdings, veículo gerido pela Oaktree, precificou em 6 de outubro a venda das 6.329.874 ações classe A que ainda detinha na Torm, por US$ 253,5 milhões brutos, zerando os 6,17% remanescentes. O J.P. Morgan foi o único colocador, o preço por ação não foi divulgado e o papel fechou a US$ 41,05 na véspera. Em dezembro a mesma vendedora havia entregue 14,1 milhões de ações à Hafnia a US$ 22,00, ou US$ 311,4 milhões. A posição nasceu da reestruturação de 2015, quando a Oaktree aportou 31 navios e ficou com a maioria da companhia. A Torm, de Jacob Meldgaard, não recebe nada.

  1. KKR leva os terminais de granel líquido da Ganesh Benzoplast

A Cisternina Logistics, na qual a KKR assume participação majoritária, comprou em 30 de setembro da indiana Ganesh Benzoplast o negócio de terminais de granel líquido por ₹ 11,54 bilhões, cerca de US$ 138 milhões, sujeitos a ajuste e às aprovações regulatória e de acionistas. Entram as tancagens no Jawaharlal Nehru Port, em Cochin e em Goa, mais a operação ferroviária em Daund, somando cerca de 500 mil quilolitros entre operação e construção. Ravi Thanvi chefia ativos reais da KKR na Índia. Para o Brasil, o contraste é o dado: enquanto um fundo sai de terminal brasileiro, outro entra em tancagem indiana pelo mesmo tipo de ativo.

Compartilhe:
TAGS

Leia também