Brasil Export
PNL 2050 deve priorizar integração entre modais para ampliar eficiência
Debate no Fórum Brasil Export apontou gargalos em infraestrutura, financiamento e regulação para ampliar participação de ferrovias, hidrovias e cabotagem
A integração entre ferrovias, hidrovias, cabotagem e rodovias deverá estar entre os principais desafios do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050. O tema foi debatido nesta quarta-feira (7), em Brasília, durante um dos painéis técnicos do Fórum Brasil Export, que reuniu representantes do Governo Federal e do setor logístico.
A avaliação dos participantes é que o planejamento de longo prazo precisa ser acompanhado de investimentos, financiamento e medidas capazes de conectar os diferentes sistemas de transporte e ampliar a participação de modais ainda pouco utilizados na matriz brasileira.
Para o presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, a cabotagem e as hidrovias são exemplos de alternativas que poderiam ser mais exploradas pelo País. “Nós temos uma costa enorme e a nossa cabotagem não funciona como poderia. Temos que pensar na cabotagem e ver o que falta para fazer essa modalidade avançar”, afirmou.
O mesmo desafio, segundo Bastos, está nas ferrovias. Além da expansão da malha, ele defende a diversificação das cargas transportadas pelo modal. “Temos que tirar um pouco da ferrovia essa característica de transportar só grãos e minérios para transportar também outros tipos de cargas. É impossível você andar 2 mil ou 3 mil quilômetros com transporte rodoviário. Temos que tentar mudar esse tipo de modal”, disse.
Bastos destacou que a ampliação do transporte ferroviário também depende de novas fontes de financiamento e defendeu o direcionamento de recursos obtidos no próprio setor para investimentos em infraestrutura. “O modal ferroviário depende muito de investimento. Temos que entender que uma coisa é gasto e outra é investimento em infraestrutura”, afirmou.
Para o executivo, a conexão das ferrovias com portos e hidrovias será fundamental para o avanço da multimodalidade no País.
A diretora-presidente da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol), Marcella Cunha, também defendeu uma atuação coordenada entre União, estados, municípios, iniciativa privada e agências reguladoras. Segundo ela, levantamentos da entidade apontam que ferrovias e hidrovias estão entre os modais que demandam maior atenção, com gargalos que envolvem infraestrutura, oferta de rotas e integração entre sistemas.
“A multimodalidade não é abstrata, ela existe. Hoje, 31% da nossa base utiliza multimodalidade. Quando olhamos para os operadores de grande porte, 44% conseguem oferecer”, afirmou.
Marcella ressaltou que as operações que combinam rodovias, ferrovias e cabotagem enfrentam problemas que precisam ser solucionados de forma conjunta. “A gente tem que atacar todos esses problemas: infraestrutura, integração de sistemas e regulação”, acrescentou.
O coordenador-geral de Política de Planejamento do Ministério dos Transportes, Danilo Imbimbo, destacou que a elaboração do PNL 2050 contou com a participação do setor privado e da sociedade em seis consultas públicas. Segundo ele, o processo começou em 2024 e incorporou contribuições ao longo de cerca de dois anos e meio.
A conclusão do PNL será seguida pela publicação dos planos setoriais, prevista até o fim deste ano. Em 2027, deverão ser elaborados os planos gerais, que vão conectar as diretrizes de longo prazo ao Plano Plurianual (PPA) e ao próximo ciclo orçamentário.
“Aí vamos começar a ver efetivamente quais obras que estão no cenário-meta serão prioridade das próximas gestões nos próximos quatro anos”, explicou.
Imbimbo ressaltou ainda que o PNL deverá passar por revisões e defendeu o acompanhamento da sociedade para garantir a execução das diretrizes. “A gente espera que o plano de fato vá para frente e seja um plano de Estado. É importante todo mundo ter o plano embaixo do braço e cobrar para que aquilo que foi construído conjuntamente saia do papel”, concluiu.