Brasil Export
Bancos defendem combinação de recursos para financiar infraestrutura
Painel do Brasil Export destaca capital privado, fundos regionais e organismos internacionais para ampliar investimentos
A combinação de diferentes fontes de recursos é apontada como necessária para acompanhar o volume de projetos de infraestrutura no Brasil. O tema foi discutido nesta quinta-feira (8), durante o Fórum Nacional Brasil Export 2026, em Brasília, em painel com representantes da Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste (BNB), Banco do Brasil e Banco da Amazônia.
Um dos exemplos apresentados foi o do BNB. Segundo Aldemir Freire, diretor de Planejamento da instituição, a carteira de projetos de infraestrutura do banco supera R$ 20 bilhões, enquanto o orçamento disponível até o fim deste ano é de cerca de R$ 5 bilhões. Para 2027, a previsão é que o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) alcance entre R$ 60 bilhões e R$ 61 bilhões, com 20% a 25% destinados à infraestrutura.
“Hoje nós não temos problema de falta de projetos no Nordeste. O que temos é a necessidade de complementar recursos e encontrar novas formas de atuação para dar conta do volume de investimentos da região”, afirmou.
Moderador do painel, Thiago Meirelles, sócio da Avren, destacou a mudança no modelo de financiamento, com menor dependência do orçamento público e maior participação do mercado de capitais, por meio de debêntures incentivadas e de infraestrutura, além dos bancos de desenvolvimento.
“Hoje a gente vive uma transformação muito grande nos mecanismos de financiamento da infraestrutura. Saímos de um modelo baseado no crédito público e no orçamento para uma participação cada vez maior do mercado de capitais”, afirmou.
Recursos regionais
No Banco da Amazônia, Nélio Gusmão, superintendente executivo de Estratégia de Negócios, ressaltou que as características da Região Norte precisam ser consideradas na estruturação financeira dos projetos. Entre os fatores estão grandes distâncias, baixa densidade demográfica e as condições de navegabilidade dos rios.
“Na Amazônia, os rios não são só ativos ambientais. Eles são nossas estradas. Por isso, as características da região precisam entrar no modelo financeiro para que o empreendimento consiga se sustentar”, afirmou.
Segundo ele, períodos de seca podem reduzir o calado dos rios e comprometer a navegação. Nesse cenário, os fundos constitucionais oferecem condições como prazos mais longos e períodos de carência maiores.
Michele Azevedo Alencar, head de Estratégia de Governo do Banco do Brasil, defendeu a integração entre fundos constitucionais, fundos de desenvolvimento, recursos privados e capital internacional.
“É necessário trazer uma atuação transversal em cada região do Brasil. Os fundos constitucionais têm um papel importante, mas também precisamos olhar para os grandes projetos de infraestrutura e para outras fontes que permitam um desenvolvimento mais estruturante”, afirmou.
Ela também citou estruturas de blended finance, que combinam diferentes fontes de recursos, em projetos de transição energética, bioeconomia e recuperação de áreas degradadas.
A Caixa destacou ainda a importância de incorporar critérios ambientais, sociais e de governança desde a estruturação dos projetos. Para Aline Sampaio, gerente-executiva da instituição, o ESG não deve ser apenas uma exigência para a liberação do crédito.
“Hoje a nossa preocupação é que o ESG não seja apenas um checklist ou um selo para liberar um crédito subsidiado, mas que faça parte de toda a estruturação do projeto”, afirmou.