Mineração
Ceará pode receber R$ 28,3 bilhões em investimentos no setor de mineração
Estado deve concentrar 7,1% dos investimentos previstos para o setor mineral no País, com destaque para projetos voltados a fertilizantes, lítio e minerais estratégicos
O Ceará poderá receber R$ 28,3 bilhões em investimentos no setor de mineração até 2030, segundo projeção do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O valor corresponde a 7,1% dos aportes previstos para a mineração brasileira no período e coloca o Estado na quarta posição entre os maiores destinos dos investimentos, atrás de Minas Gerais, Pará e Bahia.
No Ceará, os projetos previstos são concentrados principalmente em minerais utilizados na produção de fertilizantes. O interesse ocorre em um mercado no qual o Brasil mantém forte dependência de produtos importados.
A lista de minerais que despertam interesse das empresas também inclui lítio, cobalto, níquel e manganês, considerados críticos e estratégicos. As terras raras completam esse grupo. Com propriedades magnéticas, ópticas e elétricas, esses minerais são utilizados em equipamentos e processos ligados à transição energética, à digitalização e à indústria de alta tecnologia.
Lítio ganha espaço
Entre os minerais pesquisados no Estado, o lítio ganhou espaço nos últimos anos. Em Solonópole, no Sertão Central, empresas do Canadá, Austrália, Emirados Árabes Unidos e de outros países realizam pesquisas em áreas com potencial para o mineral.
Levantamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) aponta 126 processos ativos ligados a 56 empresas no município. Em 2023, o Ceará registrou um salto nas solicitações de pesquisa de lítio, que cresceram mais de 1.000% em relação ao ano anterior.
O aumento ocorreu após o lítio deixar de ser tratado como substância estratégica em 2022. A mudança retirou restrições à exportação de concentrados do mineral. Desde então, o lítio passou a figurar entre as substâncias com maior número de pedidos de pesquisa no Estado.
Pedidos de pesquisa
Os dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostram que o interesse das empresas varia de acordo com o mineral e o período.
O cobre teve aumento nas solicitações de pesquisa em 2017 e 2022. Em 2023, o lítio passou a liderar o movimento, com 582 solicitações e crescimento superior a 1.400%.
No ano seguinte, os maiores avanços foram registrados nos pedidos relacionados a quartzito e manganês. Já no acumulado de 2026, o minério de ferro apresentou alta superior a 300% nas solicitações de pesquisa.
Na avaliação da pesquisadora da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Iara Fraga, que estuda questões ambientais e conflitos socioterritoriais, a exploração desses recursos está ligada à expansão de cadeias industriais e tecnológicas.
Para a pesquisadora, a América Latina e a África continuam entre as principais regiões fornecedoras de recursos minerais. No Ceará, esse movimento também se traduz no aumento das pesquisas e na busca por novas áreas de exploração.
A expansão, segundo ela, exige atenção aos impactos sobre o meio ambiente e os territórios atingidos pela atividade mineral.