Brasil Export
Expansão dos biocombustíveis exige planejamento integrado de logística
Executivos defendem conexão entre novas plantas, ferrovias, terminais e armazenagem para evitar gargalos no crescimento do setor
A expansão dos biocombustíveis no Brasil precisa ser acompanhada por um planejamento integrado da infraestrutura logística, com conexão entre novas plantas de produção, ferrovias, terminais e estruturas de armazenagem. A avaliação foi apresentada nesta quinta-feira (8), durante o Fórum Nacional Brasil Export 2026, em Brasília.
CEO da VLI, Fabio Marchiori afirmou que a localização das plantas de biocombustíveis deve ser planejada em conjunto com a expansão da malha ferroviária. Segundo ele, não basta considerar a distância entre a matéria-prima e a unidade produtora: também é necessário definir como o produto chegará ao mercado consumidor ou aos pontos de exportação.
“A produção do biocombustível tem que ser planejada sinergicamente com a construção das ferrovias”, afirmou. Para Marchiori, o modal oferece previsibilidade, competitividade e segurança no transporte de combustíveis, mas exige planejamento antecipado devido ao longo prazo de implantação da infraestrutura.
Vice-presidente da Cosan, Guilherme Penin destacou o potencial brasileiro para ampliar o uso de biocombustíveis no transporte. Segundo ele, o País pode avançar principalmente com veículos híbridos movidos a etanol e alternativas ao diesel na frota pesada, como o biometano.
Penin citou como exemplo o corredor ferroviário entre Rondonópolis (MT) e Paulínia (SP). Na operação, os trens levam derivados de petróleo para Mato Grosso e retornam carregados com etanol de milho produzido na região. A utilização dos vagões nos dois sentidos reduz deslocamentos sem carga e aumenta a eficiência logística.
Diretor de Relações Institucionais da Copersucar, Henrique Araújo também defendeu uma agenda integrada de energia, logística e comércio exterior. Ele citou o uso de dutos para o transporte de etanol e afirmou que o Brasil pode ampliar a utilização do biocombustível no transporte marítimo.
Araújo mencionou ainda um abastecimento realizado no Porto de Santos com etanol em um navio da CMA CGM como demonstração do potencial dessa alternativa. Segundo ele, a integração entre Brasil e Estados Unidos, dois dos maiores produtores mundiais de etanol, pode favorecer a criação de corredores internacionais.
Regulação
A gerente de Relações Institucionais da Acelen, Maira Krohling Peruzzo, destacou os desafios regulatórios para novos investimentos. A empresa prevê R$ 1,5 bilhão em uma biorrefinaria baseada na macaúba, com produção integrada desde a matéria-prima até combustíveis renováveis.
O projeto prevê 144 mil hectares de plantio em Minas Gerais e na Bahia, além de unidades de esmagamento próximas às áreas produtoras. Segundo Peruzzo, a expansão de novas matérias-primas depende de regras que deem segurança aos investimentos e reconheçam esses insumos na cadeia de biocombustíveis.