Nacional
Morre Telma de Souza, única mulher ex-prefeita de Santos (SP)
Fundadora do PT teve a gestão da Cidade marcada pela Policlínicas, a defesa dos trabalhadores do Porto, vencer a epidemia da AIDS e virar referência internacional em saúde mental
A ex-prefeita de Santos Telma de Souza morreu neste sábado (10), aos 82 anos, em Santos, no litoral paulista. Uma das principais lideranças políticas da Baixada Santista e uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT), Telma foi a primeira e única mulher a governar o município e deixou como marcas de sua gestão a ampliação da rede pública de saúde, o enfrentamento da epidemia de Aids e uma intervenção que se tornou referência nacional na reforma psiquiátrica.
Segundo o Instituto Telma de Souza, ela morreu por volta das 20h30, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Monte Serrat, em decorrência de falência múltipla de órgãos. A ex-prefeita estava internada desde quarta-feira (7), após sofrer uma parada cardiorrespiratória. O velório está previsto para o Palácio José Bonifácio, sede da Prefeitura de Santos, com horário ainda a ser confirmado.
Nascida em Santos em 29 de setembro de 1944, Telma Sandra Augusto de Souza era pedagoga, professora e advogada. Sua trajetória política começou no movimento sindical dos professores e nas mobilizações pela redemocratização. Em 1980, participou da fundação do PT na região. Foi eleita vereadora de Santos em 1982 e deputada estadual em 1986, antes de vencer a eleição municipal de 1988 e assumir a Prefeitura em janeiro do ano seguinte.
Saúde pública e reforma psiquiátrica
À frente da Prefeitura entre 1989 e 1992, Telma promoveu iniciativas que projetaram Santos nacionalmente na área da saúde. Um dos episódios mais marcantes foi a intervenção municipal na Casa de Saúde Anchieta, em maio de 1989, diante das condições de atendimento na instituição psiquiátrica. A medida tornou-se um marco do movimento de reforma psiquiátrica no país e abriu caminho para a construção de uma rede de atenção em saúde mental fora do modelo manicomial.
A gestão também implantou o Centro de Referência em Aids (Craids), apontado pela Prefeitura como o primeiro do país, e ampliou a rede de policlínicas municipais. As iniciativas integraram uma política de saúde que combinava atendimento, prevenção e garantia de direitos aos pacientes.
Defesa do Porto de Santos
Depois de deixar a Prefeitura, Telma ampliou sua atuação política no Legislativo. Foi eleita deputada federal em 1994 e reeleita em 1998 e 2002. Na Câmara dos Deputados, presidiu a Subcomissão de Portos e Aeroportos e coordenou frentes parlamentares voltadas ao enfrentamento da Aids e à defesa dos direitos da criança e do adolescente. Também instituiu o Orçamento Parlamentar Participativo.
Sua trajetória parlamentar esteve ligada a pautas de interesse da Baixada Santista, incluindo a atividade portuária, a geração de empregos e o desenvolvimento regional. Telma também voltou a exercer mandatos como vereadora de Santos e, em 2024, disputou novamente a Prefeitura, terminando a eleição em terceiro lugar, com 31.423 votos.
A morte da ex-prefeita motivou manifestações de pesar de lideranças políticas da região. O atual prefeito de Santos, Rogério Santos (Republicanos), destacou a relação de respeito mantida com Telma apesar das diferenças partidárias.
“Ela em um partido, eu em outro, mas sempre com muito respeito, como deve prevalecer na política, afinal, o interesse era único: o bem de Santos”, escreveu o prefeito em homenagem publicada nas redes sociais.
O ex-presidente nacional do PT, José Dirceu, escreveu que “o dia termina com tristeza: minha companheira de lutas e amiga Telma de Souza, vereadora, ex-prefeita de sua amada cidade Santos, Deputada Estadual e Federal, sempre militante e dirigente petista, faleceu hoje”. “Infelizmente não poderei ir ao seu velório, mas deixo aos familiares e amigos meu abraço solidário”, disse.