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Transportes

Porto Brasil Sul prevê tecnologia para reduzir emissões de navios

Atualizado em: 12 de outubro de 2026 às 10:51
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Projeto de R$ 6 bilhões em São Francisco do Sul inclui sistema de fornecimento de energia elétrica às embarcações atracadas, permitindo desligar geradores a diesel

O projeto do Porto Brasil Sul (PBS), previsto para São Francisco do Sul (SC), contempla a implantação de um sistema de fornecimento de energia elétrica aos navios durante a atracação. A tecnologia, conhecida como Cold Ironing, permite que as embarcações desliguem seus geradores auxiliares a diesel enquanto permanecem no terminal, reduzindo as emissões de poluentes e os ruídos associados ao funcionamento desses equipamentos.

Desenvolvido pela Worldport Desenvolvimento Portuário S.A., o empreendimento é de capital 100% privado e tem investimento estimado em R$ 6 bilhões. Segundo as projeções da empresa, a construção deverá gerar mais de 2,5 mil empregos, enquanto a fase operacional terá aproximadamente 2 mil postos de trabalho diretos.

Localizado na Baía da Babitonga, o projeto foi concebido com base nos conceitos de Porto Verde (*Green Port*) e Economia Azul, que buscam conciliar a atividade portuária com medidas de sustentabilidade e aproveitamento dos recursos marítimos.

Entre as características de engenharia apresentadas pela Worldport estão o calado natural superior a 18 metros, a possibilidade de implantação sem necessidade de derrocagem, procedimento utilizado para remover formações rochosas submersas, e a previsão de dragagem mínima. De acordo com a empresa, essas condições permitirão reduzir as intervenções necessárias à implantação da infraestrutura portuária.

O sistema Cold Ironing, também conhecido como fornecimento de energia em terra, utiliza conexões elétricas instaladas no cais para abastecer os navios atracados. Dessa forma, os equipamentos de bordo podem continuar funcionando sem a necessidade de manter os geradores auxiliares a diesel em operação.

A Worldport aponta que a adoção da tecnologia poderá contribuir para a redução das emissões de dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio, dióxido de carbono e material particulado, substâncias liberadas durante a queima de combustíveis e associadas à poluição atmosférica e às mudanças climáticas.

Como referência para o potencial de redução de emissões, a empresa cita relatórios técnicos da Agência de Recursos do Ar da Califórnia (CARB), nos Estados Unidos. Segundo os dados mencionados no projeto, o desligamento dos geradores auxiliares de um único navio porta-contêineres durante 24 horas pode representar uma redução de emissões equivalente à retirada de circulação de 10 mil a 50 mil automóveis de passeio por um dia.

A comparação apresentada pela Worldport, entretanto, é uma referência geral sobre os efeitos da tecnologia, não uma estimativa específica de redução de emissões no Porto Brasil Sul.

Outro aspecto considerado no projeto é a origem da eletricidade utilizada para abastecer as embarcações. A empresa destaca que a matriz elétrica brasileira tem participação majoritária de fontes renováveis, especialmente hidrelétricas, eólicas e solares. Essa característica pode contribuir para diminuir a intensidade de carbono da energia consumida pelos navios durante a permanência no terminal.

Ruídos e atividades locais

Além das emissões atmosféricas, o projeto prevê benefícios relacionados à redução de ruídos e vibrações produzidos pelos geradores auxiliares das embarcações.

Esses equipamentos, utilizados para manter os sistemas de bordo em funcionamento durante a atracação, produzem sons de baixa frequência e vibrações que podem se propagar pelo ar e pela água.

Segundo a Worldport, a substituição da geração de energia a diesel pelo abastecimento elétrico em terra poderá reduzir esses impactos nas áreas próximas ao empreendimento, incluindo a Praia do Sumidouro.

A empresa relaciona a adoção da tecnologia à preservação das condições ambientais necessárias à pesca artesanal, ao turismo e às atividades de lazer desenvolvidas na região da Baía da Babitonga.

A redução dos ruídos também poderá diminuir a exposição da fauna marinha ao funcionamento dos equipamentos auxiliares dos navios. Os efeitos efetivos, entretanto, dependerão das características das embarcações atendidas e das condições de operação do sistema.

A proposta integra o conjunto de medidas socioambientais previstas pela Worldport para o Porto Brasil Sul. A implantação da tecnologia, assim como os benefícios ambientais e operacionais projetados, dependerá da execução do empreendimento e da entrada em funcionamento da infraestrutura elétrica planejada.

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TAGS portos sustentabilidade Transportes
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