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Transportes

Vale usa inteligência artificial para ampliar embarques e reduzir espera de navios

Atualizado em: 12 de outubro de 2026 às 12:37
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Sistema de otimização elevou em mais de 1,5% a movimentação de minério e reduziu em até 2% a sobre-estadia

A Vale está utilizando inteligência artificial para ampliar a movimentação de minério de ferro em seus terminais portuários sem depender exclusivamente da expansão da infraestrutura física. Com o Sistema Integrado de Otimização da Operação Portuária (SIOP), a mineradora registrou crescimento superior a 1,5% nos embarques e redução de até 2% na sobre-estadia de navios, segundo dados apresentados durante o Port Performance Summit 2026, em São Paulo.

A plataforma integra o planejamento logístico desde a chegada dos trens até o carregamento dos navios. O sistema considera estoques, disponibilidade de equipamentos, condições de maré, características do minério e previsão de chegada das composições ferroviárias e embarcações para definir sequências operacionais mais eficientes.

No Porto de Tubarão (ES), a ferramenta trabalha com cerca de 4,5 mil possibilidades de rotas para movimentar o minério entre os viradores de vagões, os pátios de armazenagem e os carregadores de navios. A cada 30 minutos, o sistema recalcula o planejamento para incorporar alterações nas condições operacionais. A geração de um novo plano leva, em média, dois minutos.

“Se não tivéssemos esse nível de planejamento utilizando inteligência artificial que temos no Porto de Tubarão (ES), não estaríamos girando estoque duas vezes na semana, oito vezes no mês”, afirmou o head de inteligência artificial da Vale, Alexandre Pigatti.

O terminal recebe aproximadamente 40 tipos de produtos, utilizados na composição de cerca de 14 produtos finais. A coordenação das operações precisa conciliar a chegada dos trens, as intervenções de manutenção, as restrições de equipamentos e as condições de maré. Uma rota utilizada em determinada movimentação pode bloquear outra e comprometer o uso simultâneo da estrutura.

O SIOP funciona por meio de três módulos integrados, responsáveis pela programação dos vagões, pela gestão dos pátios e pelo sequenciamento dos navios. Os planos produzidos pelos algoritmos são enviados aos sistemas de gestão da produção e, posteriormente, à automação industrial, que executa os comandos nos equipamentos.

Em Ponta da Madeira (MA), a execução automatizada dos planos já está em operação, sob supervisão das equipes responsáveis pelo controle das atividades e pelo tratamento de ocorrências não previstas.

No Terminal da Ilha Guaíba (TIG), no Rio de Janeiro, a Vale registrou aumento de 12,3% na performance da recuperação de minério com a execução automatizada. O resultado ficou 4,3 pontos percentuais acima do previsto no estudo de viabilidade do projeto, que entrou em operação em dezembro de 2023. Em São Luís, a execução autônoma funciona desde maio de 2022.

A companhia também avança na implantação de equipamentos com maior grau de autonomia. Em Tubarão, um projeto de operação totalmente automática está em fase de comissionamento. Em Ponta da Madeira, a empresa trabalha no comissionamento do primeiro carregador de navios autônomo da Vale.

Economia de US$ 65 milhões

A aplicação de inteligência artificial se estende à gestão da navegação marítima. Por meio do sistema AI Fleet, a Vale recomenda velocidades para navios de sua frota dedicada e embarcações contratadas, considerando o consumo de combustível e a disponibilidade prevista dos berços de atracação.

A ferramenta busca evitar que os navios naveguem em velocidades mais altas para chegar antecipadamente a terminais sem janela disponível para carregamento. Quando as condições operacionais permitem, a redução da velocidade diminui o consumo de combustível marítimo, conhecido como bunker.

Segundo Pigatti, a aplicação contribuiu para uma economia de US$ 65 milhões em 2025, associada à otimização do consumo de combustível e à gestão da sobre-estadia dos navios. O sistema também acompanha a diferença entre as velocidades recomendadas e as efetivamente praticadas, permitindo avaliar desvios sem desconsiderar as condições de segurança e as decisões dos comandantes.

A companhia começou a testar os benefícios da otimização das operações portuárias em 2019, em Ponta da Madeira. Na ocasião, um algoritmo recomendou alterar a sequência de atracação dos navios com base nas condições de maré. A alternativa apresentava uma vantagem econômica de US$ 65 mil em uma única atracação em comparação com a programação inicialmente definida por um profissional da empresa.

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TAGS inteligência artificial portos Transportes
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