Aeroportos
Aena mira R$ 1 bilhão em negócios e novas rotas no Galeão
Projetos incluem hotel internacional, centro de testes da BYD e hangar de manutenção da Gol
O Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, poderá receber cerca de R$ 1 bilhão em investimentos privados em empreendimentos comerciais nos próximos três anos. A previsão da Aena Brasil, nova concessionária do terminal, inclui a implantação de um hotel de bandeira internacional, um centro de testes automotivos da BYD e um hangar de manutenção aeronáutica da Gol, além de estruturas logísticas.
Os projetos fazem parte da nova etapa de gestão do aeroporto, assumido pela Aena em 6 de outubro. A concessionária também pretende ampliar a conectividade aérea do Galeão, aproveitando sua rede de 18 aeroportos no Brasil para fortalecer as ligações domésticas e internacionais.
As informações foram apresentadas nesta terça-feira (13), no Rio de Janeiro, durante coletiva de imprensa com a participação do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, e do diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Faierstein.
Segundo a Aena, os empreendimentos comerciais previstos poderão gerar cerca de 3.860 empregos. A viabilização dos projetos depende de regras que permitem contratos comerciais com prazo superior ao período restante da concessão, mediante análise da Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), que avalia a viabilidade econômica e a compatibilidade com o contrato.
Conectividade aérea
A ampliação das conexões é outra frente estratégica da nova gestão. De janeiro a agosto de 2026, o Galeão movimentou 12,67 milhões de passageiros, alta de 10,9% em relação ao mesmo período de 2025. No segmento internacional, foram 4,32 milhões de passageiros, crescimento de 13,8%.
Com a incorporação do terminal, a Aena passou a administrar 18 aeroportos brasileiros, responsáveis por cerca de 63 milhões de passageiros por ano. A companhia avalia aproveitar essa rede para ampliar a oferta de rotas e frequências a partir do Rio de Janeiro.
Uma das possibilidades é coordenar a malha doméstica do Galeão com a do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, também administrado pela empresa. A estratégia busca ampliar as opções de conexão para passageiros de outras regiões do país e contribuir para a formação de demanda para voos internacionais.
“O Brasil precisa de mais aeroportos vocacionados ao turismo internacional e, sem dúvida alguma, essa é a vocação do Aeroporto do Galeão. Por sua infraestrutura e capacidade já existentes e também pela vocação natural do Rio de Janeiro, com suas belezas naturais e culturais, o aeroporto pode ser um importante motor do desenvolvimento do estado e do turismo no Brasil”, afirmou o ministro Tomé Franca.
O diretor-presidente da Aena Brasil, Santiago Yus, destacou a possibilidade de aproveitar a experiência da companhia em outros mercados para negociar novas conexões com as empresas aéreas.
“Podemos aproveitar a experiência que já estamos desenvolvendo com companhias aéreas em outras localidades do Brasil e trazê-la para o Galeão. A ideia é explorar o potencial da nossa rede de aeroportos para criar diferentes possibilidades de conexão, como voos de São Paulo ou Recife pelo Rio de Janeiro rumo a destinos internacionais”, disse.
Modelo de concessão
A nova fase do Galeão também envolve mudanças na remuneração da União. A repactuação do contrato estabelece contribuição variável equivalente a 20% da receita bruta anual da concessionária e de suas subsidiárias integrais, em substituição ao modelo de contribuições fixas. O prazo da concessão permanece até maio de 2039.
A operação de venda assistida foi concluída com lance de R$ 2,9 bilhões para a aquisição da sociedade concessionária. O valor corresponde à compra da empresa e não deve ser confundido com os investimentos previstos para o aeroporto.
Para o diretor-presidente da Anac, Tiago Faierstein, o fortalecimento do Galeão pode ampliar a integração do Rio de Janeiro com mercados internacionais e contribuir para o desenvolvimento econômico.
“Precisamos entender o Rio de Janeiro como um todo, como um hub de crescimento. Com a chegada de mais passageiros, surgem novas oportunidades. Todos nós estamos unidos no propósito de fazer o Terminal Rio de Janeiro crescer e, com ele, a cidade”, afirmou.
De acordo com informações do Banco Central apresentadas pelo governo, os gastos turísticos na cidade do Rio de Janeiro foram estimados em R$ 22,5 bilhões entre janeiro e agosto de 2026.