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Matheus Oliva

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Transações, capital e financiamento em portos, óleo e gás e navegação

O que a semana mediu não foi o preço do dinheiro, foi o prazo. A Yinson precificou US$ 1,458 bilhão com cupom fixo de 6,517% ao ano, integralmente amortizável em 13,3 anos, contra um afretamento a casco nu de quinze anos firmes com a Azule Energy. A dívida acompanha o contrato, e o papel saiu com grau de investimento apoiado num único casco. No mesmo intervalo, a Nova Transportadora do Sudeste, dona de 2 mil quilômetros de gasodutos e rating AAA na escala nacional, colocou R$ 1,04 bilhão por sete anos, a taxa flutuante e sem garantia real. É o melhor crédito de infraestrutura de gás do país, e sete anos foi o prazo que o mercado doméstico ofereceu. A mesma distância reaparece no dinheiro público. A Petrobras comprometeu R$ 3.219.251.245,60 em bônus por vinte e um blocos exploratórios e paga tudo até 30 de dezembro. O Fundo da Marinha Mercante concedeu prioridade a R$ 8,3 bilhões, e prioridade não é contrato de crédito. A Yinson casou treze anos e quatro meses de dívida com quinze anos de contrato firme. O melhor emissor brasileiro do setor casou sete.

COMPRARAM   fusões e aquisições 2

  1. Energy Transfer paga US$ 2,625 bilhões e tira Yorktown e Keeneland do Delaware

A Energy Transfer acertou em 6 de outubro a compra da Vaquero Midstream por cerca de US$ 2,625 bilhões, sendo US$ 1,95 bilhão em caixa e o restante em 33,3 milhões de novas units. A Vaquero opera três trens de processamento no complexo Caymus, no sul do Delaware Basin, com 675 milhões de pés cúbicos por dia, cerca de 480 quilômetros de dutos e 100 mil acres dedicados. Nasceu com capital da Yorktown Partners e da Keeneland Capital, que saem na operação. Para o Brasil, o comparável é a saída: dois fundos deixam midstream americano sem múltiplo divulgado, dias depois de Macquarie e IG4 saírem da CLI a 8,5 vezes o Ebitda.

  1. HD Hyundai compra a Goltens por US$ 247,5 milhões e entra no reparo marítimo

A HD Hyundai Marine Solution acertou em 8 de outubro a compra da Goltens Worldwide por US$ 247,5 milhões, movimento que leva o grupo coreano do estaleiro para o pós-venda. Fundada em Nova York em 1940, a Goltens mantém 28 bases de reparo e 19 oficinas, com cerca de 1.300 especialistas. Sandeep Seth segue como presidente. O múltiplo não foi divulgado e a operação depende de aprovações regulatórias. Para o Brasil, o efeito é de estrutura: o maior grupo de construção naval do mundo passa a deter uma rede independente de pós-venda, e quem contrata manutenção de motor fica com um fornecedor independente a menos.

INVESTIRAM   capex e decisões finais de investimento 3

  1. Petrobras leva vinte e um blocos e pagará R$ 3,219 bilhões à União

A Petrobras arrematou em 7 de outubro vinte e um blocos nos dois ciclos da Oferta Permanente da ANP e pagará R$ 3.219.251.245,60 em bônus de assinatura até 30 de dezembro. São dezenove em concessão, doze na Bacia de Campos com participação integral e sete na Bacia do Ceará ao lado da QatarEnergy Brasil, que fica com 30%, mais Azurita e Cruzeiro do Sul em partilha. Os blocos C-M-115 e C-M-161 saíram a R$ 754.197.272,73 cada, e a companhia incorpora mais de 18 mil quilômetros quadrados. A estatal respondeu por pouco mais de 90% do bônus somado nos dois ciclos; a PRIO pagou R$ 94,6 milhões e a Eneva, R$ 1,5 milhão.

  1. ADNOC encomenda três gaseiros a US$ 108 milhões por navio, já afretados

A ADNOC Logistics & Services encomendou em 6 de outubro três transportadores de gás liquefeito de 90 mil metros cúbicos cada por AED 1,19 bilhão, ou US$ 324 milhões, o equivalente a cerca de US$ 108 milhões por navio. As três unidades somam 270 mil metros cúbicos de capacidade e saem com sete anos de afretamento contratado junto à ADNOC Global Trading, o braço de comercialização do próprio grupo. A entrega está marcada para o segundo semestre de 2029 e o estaleiro não foi divulgado. Para o Brasil, o dado é o preço unitário: US$ 108 milhões por gaseiro de 90 mil metros cúbicos, com afretamento fechado antes do corte de chapa.

  1. Solstad declara compra de navio de construção submarina por US$ 125 milhões

A Normand Maximus AS, subsidiária integral da Solstad Offshore, declarou em 6 de outubro a opção de compra do navio de construção submarina Normand Maximus, de 178 metros, por US$ 125 milhões. A opção estava escrita no contrato de afretamento a casco nu, exercível depois de cinco anos de contrato e com aviso prévio de doze meses, e a propriedade passa à compradora em outubro de 2027. O navio pertence à Maximus Shipping AS, subsidiária da Solstad Maritime. Jarle Langeland responde pelas finanças da Solstad Maritime. Para o Brasil, US$ 125 milhões é a referência de preço de um navio de construção submarina de 178 metros.

FINANCIARAM   crédito e project finance 3

  1. Yinson precifica US$ 1,458 bilhão a 6,517% e leva um FPSO ao grau de investimento

A Yinson Azalea Production precificou em 7 de outubro US$ 1,458 bilhão em notas sênior garantidas 144A/RegS, a cupom fixo de 6,517% ao ano e 98,164% do principal. O papel é integralmente amortizável, vence em 13,3 anos e saiu com ratings esperados BBB+ pela Fitch e Baa2 pela Moody’s, sustentado por afretamento a casco nu de quinze anos firmes com a Azule Energy Angola para o FPSO Agogo. Citigroup, HSBC, J.P. Morgan e Santander coordenaram. Markus Wenker dirige as finanças da Yinson. É a mesma companhia que está em negociação comercial com a Petrobras para a P-88, de Albacora, pela proposta de US$ 2,297 bilhões.

  1. NTS coloca R$ 1,04 bilhão a CDI mais 0,90% sem garantia real e fora do incentivo

A Nova Transportadora do Sudeste emitiu em 8 de outubro R$ 1,04 bilhão em debêntures de série única, da espécie quirografária, portanto sem garantia real, a CDI mais 0,90% ao ano, com vencimento em 8 de outubro de 2033 e rating AAA na escala nacional pela Fitch. O BTG Pactual coordenou e a Oliveira Trust é a agente fiduciária. O papel não se enquadra na Lei 12.431 e não leva incentivo fiscal. A companhia opera 2 mil quilômetros de gasodutos no Sudeste, e seu capital é 91,5% do fundo Nova Infraestrutura e 8,5% da Itaúsa. Sete anos foi o prazo, contra os 13,3 que a Yinson obteve no mesmo intervalo.

  1. Fundo da Marinha Mercante dá prioridade a R$ 8,3 bilhões, metade em três portos

O Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante concedeu em 8 de outubro prioridade de financiamento a vinte e seis projetos que somam R$ 8,3 bilhões em nove estados. Três terminais concentram R$ 4,28 bilhões, ou 51,6% do total: o Terminal Mar Azul, da Norsul, em São Francisco do Sul, com R$ 1,9 bilhão; o canal de acesso do Porto de Paranaguá, com R$ 1,26 bilhão; e o terminal da Hanseatic Global Terminals em Aracruz, com R$ 1,12 bilhão. O regime do fundo cobre até 90% do investimento. Prioridade, porém, não é contrato de crédito, e os agentes financeiros não foram nomeados.

CONTRATARAM   serviços e acordos 1

  1. Oceânica fecha R$ 354 milhões com a Petrobras e leva a carteira a R$ 10,3 bilhões

A Oceânica Engenharia e Consultoria anunciou em 8 de outubro contrato de aproximadamente R$ 354 milhões com a Petrobras, para serviços técnicos submarinos em até quatro frentes, com mergulho e ferramental diverless operado por veículos de operação remota. O prazo é de quatro anos, com execução entre 2027 e 2031. Com o contrato, a carteira da companhia sobe para cerca de R$ 10,3 bilhões. Luis Paulo Assumpção é o diretor comercial da Oceânica. O valor equivale a aproximadamente US$ 70 milhões, e nem a margem da operação nem a composição das quatro frentes de serviço foram divulgadas pela companhia.

ENTRARAM E SAÍRAM   private equity e desinvestimento 1

  1. Top Ships paga US$ 34,95 milhões a parte relacionada por quatro MR com leasing chinês

A Top Ships, de Evangelos Pistiolis, acertou em 7 de outubro a compra de quatro veículos de propósito específico detidos por parte relacionada, titulares dos contratos de construção de quatro petroleiros de produtos de 49.940 toneladas, classe gelo 1A, no estaleiro Guangzhou Shipyard International. A contrapartida é de US$ 34,95 milhões, a pagar até 31 de dezembro. As entregas estão marcadas para junho, setembro e dezembro de 2029 e março de 2030, e os navios saem com sete anos firmes de afretamento a uma grande trading de petróleo. Um comitê de conselheiros independentes aprovou a operação com parecer de valor justo de assessor financeiro independente.

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