Porto de Santos
Lancha Igara completa 100 anos de história no Porto de Santos
Embarcação esteve a serviço da Companhia Docas de Santos por 54 anos e hoje integra o acervo do Museu do Porto, onde está exposta desde 1989
A lancha Igara completa 100 anos nesta quarta-feira (14). Construída na Inglaterra, a embarcação foi utilizada por mais de cinco décadas em atividades do Porto de Santos e também participou da recepção do hidroavião Jahu, que entrou para a história ao cruzar o Oceano Atlântico com uma tripulação brasileira. Desde 1989, a lancha está exposta no Museu do Porto.
Com capacidade para 20 passageiros, a Igara foi construída pelo estaleiro I. S. Thornycroft, em Southampton, na Inglaterra. Entre 1926 e 1980, serviu à Companhia Docas de Santos (CDS), principalmente no transporte da diretoria portuária durante visitas técnicas.
A chegada da embarcação ao porto, no entanto, ainda tem origem incerta. Uma das versões aponta que a lancha foi doada pelo governo britânico. Outra atribui a doação a Oscar Cox, fundador e ex-presidente do Fluminense, que teria presenteado Arnaldo Guinle, conselheiro do clube e irmão de Guilherme Guinle, diretor da CDS entre 1925 e 1961.
De acordo com essa segunda versão, Cox teria doado a Igara em 1926, em agradecimento à contribuição da família Guinle para a construção da arquibancada principal das Laranjeiras, antigo estádio e atual sede do Fluminense. Arnaldo Guinle é considerado patrono do clube e tem homenagens em sua sede. A identidade do doador e as circunstâncias da transferência, porém, ainda não foram confirmadas por documentos históricos.
Recepção do hidroavião Jahu
Um dos episódios mais conhecidos ligados à Igara ocorreu em 28 de julho de 1927, quando a lancha participou da recepção da tripulação do hidroavião Jahu no Porto de Santos.
A travessia foi idealizada por João Ribeiro de Barros, natural de Jaú, no interior de São Paulo. O grupo, formado também pelo mecânico Vasco Cinquini, pelo capitão Newton Braga e pelo tenente e piloto de caça Arthur Cunha, partiu de Gênova, na Itália, em 13 de outubro de 1926.
Depois de nove meses e meio de jornada, o Jahu amerissou às 13h no cais do Estuário, nas proximidades da Ilha Barnabé. A chegada foi marcada por uma grande celebração. A Igara levou os tripulantes até o cais da Alfândega, onde foram recebidos com flores e aplausos.
Preservação
A conservação da lancha teve entre seus principais responsáveis José de Menezes Berenguer, engenheiro-chefe da Companhia Docas de Santos de 1946 a 1980. O trabalho de preservação e as revitalizações realizadas ao longo dos anos contribuíram para manter a embarcação.
A última intervenção ocorreu em 2024, durante as comemorações dos 35 anos do Museu do Porto. Atualmente, a Igara integra o acervo histórico e turístico do espaço, onde visitantes podem conhecer parte da história da navegação e do Porto de Santos.