Transportes
Suape homologa novas profundidades no calado para navios de 366 metros
Aproveitamento da capacidade dos navios, porém, ainda depende de estudo de manobrabilidade
O Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, obteve a homologação da Marinha do Brasil para as novas profundidades do canal interno, da bacia de evolução e dos Píeres de Granéis Líquidos (PGLs 3A e 3B). A medida amplia as condições de navegabilidade e cria condições para que porta-contêineres de até 366 metros de comprimento operem com maior aproveitamento da capacidade de carga. Os novos parâmetros estão em vigor conforme a Portaria nº 190/2026.
Com a homologação, o canal interno passou a ter profundidade reconhecida de 16,25 metros, enquanto a bacia de evolução e os píeres de granéis líquidos alcançaram 18,39 metros. As novas cotas são resultado das obras de dragagem concluídas em janeiro deste ano, que receberam R$ 247 milhões em investimentos.
Suape já recebe embarcações de até 366 metros, incluindo porta-contêineres da classe New Panamax. Até então, porém, esses navios enfrentavam restrições de calado que limitavam o volume de carga transportada. Para avançar no aproveitamento operacional das novas profundidades, o porto ainda precisa concluir um estudo de manobrabilidade, previsto para este ano.
A análise deverá avaliar as condições de navegação e manobra de embarcações de grande porte, conforme os parâmetros de segurança estabelecidos pela Autoridade Marítima.
“Estamos transformando investimento em infraestrutura em capacidade efetiva de operação. A nova profundidade do canal interno permite que os navios operem em melhores condições de carga, aumenta a segurança e a eficiência e fortalece nossa capacidade de atrair novas linhas marítimas”, afirma o diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto.
Investimentos somam R$ 387 milhões em dragagem
Do total de R$ 247 milhões aplicados na etapa mais recente, R$ 100 milhões vieram do Ministério de Portos e Aeroportos, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), e R$ 147 milhões foram aportados com recursos próprios de Suape.
Durante os trabalhos, foram retirados aproximadamente 4,18 milhões de metros cúbicos de sedimentos. A intervenção abrangeu o canal interno, a bacia de evolução e os píeres de granéis líquidos, além de levantamentos hidrográficos e análises técnicas que subsidiaram a homologação pela Marinha.
Segundo o diretor de Desenvolvimento e Gestão Portuária de Suape, José Constantino, o aprofundamento também cria condições para aprimorar as operações com granéis líquidos.
“Ganhamos melhores condições de profundidade para ampliar o aproveitamento da capacidade de carga dos navios. Com a conclusão do estudo de manobrabilidade, poderemos avançar na utilização desse potencial, sempre observando os parâmetros de segurança da navegação. O aprofundamento da bacia de evolução e dos píeres também representa um avanço para as operações com granéis líquidos”, afirma Constantino.
A diretora de Infraestrutura de Suape, Renata Loyo, destaca que a execução exigiu acompanhamento das etapas de dragagem, dos levantamentos hidrográficos e das condições operacionais do complexo. Segundo ela, os trabalhos entregaram as estruturas nas profundidades previstas em projeto, criando a base técnica necessária para a homologação.
A nova homologação complementa a dragagem do canal externo de Suape, concluída em 2024, com investimento de R$ 140 milhões. A profundidade de 20 metros foi homologada pela Marinha em 2025, permitindo a navegação de embarcações de grande porte, incluindo petroleiros da classe Suezmax.
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