Comércio exterior
Exportações ao Canadá batem recorde, com ouro responsável por 54%
Comércio bilateral movimentou US$ 8,41 bilhões, enquanto exportações de carne bovina avançaram 828%
As exportações brasileiras ao Canadá alcançaram US$ 5,69 bilhões (cerca de R$ 28 bilhões) entre janeiro e setembro de 2026, recorde histórico para o período e crescimento de 12,1% em relação aos nove primeiros meses do ano passado. O resultado foi impulsionado principalmente pelo ouro bruto, cujas vendas somaram US$ 3,06 bilhões, alta de 47% e equivalente a 53,8% da pauta exportadora brasileira para o mercado canadense. Os dados são do Quick Trade Facts (QTF), levantamento da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC).
O valor exportado superou em US$ 614 milhões o recorde anterior, registrado entre janeiro e setembro de 2025, quando as vendas brasileiras totalizaram US$ 5,08 bilhões. Em dois anos, as exportações para o Canadá cresceram cerca de 28%, segundo a entidade.
A corrente de comércio entre os dois países chegou a US$ 8,41 bilhões no acumulado até setembro, aumento de 13% na comparação anual. As importações brasileiras de produtos canadenses somaram US$ 2,72 bilhões, alta de 14,9%, enquanto o Brasil manteve saldo comercial positivo de US$ 2,97 bilhões.
O avanço do ouro alterou a composição das exportações brasileiras para o Canadá. O metal passou de 41,1% da pauta no acumulado até setembro de 2025 para 53,8% no mesmo intervalo deste ano.
“O desempenho do comércio entre Brasil e Canadá evidencia a relevância da parceria bilateral em um cenário internacional de incertezas. Ao mesmo tempo que a demanda por ouro impulsiona as exportações brasileiras, a expansão das compras de fertilizantes e de outros produtos canadenses demonstra a complementaridade entre as duas economias e as oportunidades para aprofundar essa relação”, afirma o diretor-presidente da CCBC, Hilton Nascimento.

Carne bovina
Além do ouro, a carne bovina desossada e congelada apresentou uma das maiores variações percentuais entre os principais produtos vendidos ao Canadá. As exportações passaram de US$ 8,2 milhões nos primeiros nove meses de 2025 para US$ 76,5 milhões no mesmo período de 2026, alta de 828%.
O avanço amplia a presença da proteína brasileira no mercado canadense em um ano de retração das vendas para alguns destinos tradicionais, como a China. Ainda assim, o valor exportado de carne bovina permanece bem abaixo do registrado pelo ouro.
Outros produtos também apresentaram crescimento. As vendas de máquinas carregadoras avançaram 80%, para US$ 55,8 milhões, enquanto as de querosene de aviação subiram 83%, alcançando US$ 39,4 milhões. As exportações de café solúvel cresceram 24%, para US$ 37,8 milhões, e as de transformadores elétricos de grande porte avançaram 50%, chegando a US$ 33,9 milhões.
Contrastes e importações
O resultado, contudo, não foi uniforme entre os principais itens da pauta. As exportações de alumina calcinada recuaram 28%, para US$ 858,8 milhões, enquanto as vendas de açúcar de cana caíram 25%, para US$ 251,5 milhões. O café verde apresentou retração de 20%, somando US$ 172,8 milhões.
Do lado das importações, os fertilizantes continuam entre os principais componentes do comércio bilateral. As compras brasileiras de cloreto de potássio canadense somaram US$ 1,41 bilhão entre janeiro e setembro, alta de 14,5% em relação ao mesmo período de 2025. O produto respondeu por 51,9% do valor importado pelo Brasil do Canadá.
As importações brasileiras também cresceram em segmentos industriais e aeronáuticos. As compras de turborreatores com empuxo superior a 25 kN avançaram 61,4%, para US$ 195,4 milhões. As de helicópteros com peso de até 2 mil quilos aumentaram 83%, alcançando US$ 68,3 milhões.