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Transportes

Estudo prevê redução de chuvas intensas na Amazônia e acende alerta

19 de outubro de 2026 às 16:05
Júnior Batista Enviar e-mail para o Autor

Projeção até 2075 indica menor volume de precipitação em meses de recarga dos rios e mais dias de calor extremo

A logística da Amazônia já exige investimentos para reduzir os impactos da vazante dos rios, enquanto projeções climáticas indicam que o desafio pode se intensificar nas próximas décadas. Um estudo da i4sea, plataforma de inteligência climática, estima redução das chuvas intensas em períodos importantes para a recarga dos rios da Região Norte até 2075, ao mesmo tempo em que prevê aumento expressivo dos dias de calor extremo.

No cenário climático analisado, o maior volume de chuva acumulado em cinco dias consecutivos entre janeiro e abril na Região Norte cai de 214 milímetros, no período de referência atual, para 198 milímetros em 2075. Esse intervalo concentra parte importante da estação chuvosa, quando os rios recebem água antes do período de vazante.

O indicador utilizado pelo levantamento é o RX5day, que mede o maior volume de precipitação acumulado em cinco dias consecutivos. A métrica funciona como referência para avaliar a intensidade das chuvas, mas não determina diretamente o nível futuro dos rios.

O estudo também identifica redução da precipitação extrema em setembro, quando os cursos d’água já caminham para os níveis mais baixos do ano. Na Região Norte, o indicador cai de aproximadamente 27 milímetros para 23 milímetros, redução estimada em 3,7 milímetros. Em Porto Velho (RO), setembro apresenta a maior queda mensal projetada, de 4,9 milímetros.

“O que chama atenção é a distribuição da chuva. Ela diminui em meses importantes para o reabastecimento dos rios e volta a apresentar queda já no período de vazante. É essa mudança ao longo do ciclo que precisamos observar para entender a ameaça climática e planejar o longo prazo”, afirma o CEO e cofundador da i4sea, Mateus Lima.

Foz do Amazonas

Entre janeiro e abril, a Foz do Amazonas, que abrange o Amapá e o norte do Pará, apresenta a maior redução prevista no indicador de chuva extrema, de 25 milímetros até 2075. Na Amazônia Central, que reúne áreas do Pará e do leste do Amazonas, a diminuição chega a 16,5 milímetros.

Na Amazônia Ocidental, formada por Amazonas, Acre e Rondônia, a queda projetada é de 8,6 milímetros. Na Pré-Amazônia, que engloba Maranhão, Tocantins e o sul do Pará, a redução fica em 2,5 milímetros.

Entre as localidades avaliadas, Macapá apresenta o maior recuo no período de janeiro a abril, com 22,5 milímetros. Na sequência aparecem Itacoatiara (AM), com 21,4 milímetros; Manaus (AM), com 18,3 milímetros; Parintins (AM), com 16,6 milímetros; Santarém (PA), com 15,5 milímetros; Belém (PA), com 10,8 milímetros; e Porto Velho (RO), com 6 milímetros.

O levantamento também projeta aumento das temperaturas. Os dias de calor extremo na Região Norte podem passar de 32 para 317 por ano até 2075. A temperatura máxima absoluta média regional subiria de aproximadamente 36,9°C para 39,8°C.

“Quando somamos temperaturas mais altas à redução das chuvas em períodos importantes, a evapotranspiração ganha peso. Isso significa maior perda de água para a atmosfera e uma ameaça adicional que precisa ser considerada no planejamento de longo prazo”, diz.

Reforço

Os riscos associados à sazonalidade dos rios já provocam mudanças no planejamento logístico. Em outubro, o Super Terminais iniciou a transferência de uma estrutura modular de aproximadamente 4 mil toneladas de Manaus para Itacoatiara (AM), como parte da Operação Seca 2026. A iniciativa integra um investimento de R$ 70 milhões para instalar uma base temporária de transbordo e manter o fluxo de mercadorias do Polo Industrial de Manaus durante a estiagem.

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TAGS Amazônia HIDROVIAS navegação RIO AMAZONAS Rio Tapajós Transportes
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