Ferrovias
BHP prepara testes com locomotivas elétricas para transporte de minério
Mineradora australiana avaliará quatro equipamentos da Wabtec e da Progress Rail antes de decidir sobre a adoção da tecnologia em larga escala
A BHP vai avaliar quatro locomotivas movidas a bateria no transporte de minério de ferro entre suas minas e o Porto de Port Hedland, na região de Pilbara, na Austrália. A mineradora pretende comparar equipamentos de dois fabricantes antes de definir se adotará a tecnologia na ferrovia. A utilização em larga escala, entretanto, é esperada apenas depois do ano fiscal de 2030.
O cronograma consta do relatório anual de 2026 da companhia, divulgado em agosto. Segundo o documento, o desenvolvimento de caminhões e locomotivas elétricos avança mais lentamente do que o previsto.
Duas unidades FLXdrive, fabricadas pela Wabtec, chegaram a Port Hedland em novembro de 2025 e passaram por ajustes e avaliações no exercício encerrado em junho de 2026. Cada locomotiva possui uma bateria de 7 megawatts-hora e um sistema que recupera parte da energia produzida durante a frenagem, especialmente em descidas.
A próxima etapa prevê a inserção de cada uma dessas locomotivas em composições que circularão na linha principal durante o ano fiscal de 2027, iniciado em julho de 2026. Outras duas unidades, da Progress Rail, já foram recebidas em Perth e seguirão para Port Hedland para testes no mesmo período.
A comparação levará em conta diferenças entre as baterias e as configurações dos equipamentos, além do relevo, das longas distâncias e das condições ambientais da operação ferroviária. O objetivo é verificar quais soluções atendem às exigências do transporte de minério.
Outro desafio é o abastecimento de eletricidade. A BHP terá de avaliar a capacidade de geração e distribuição de energia, os pontos de recarga e os picos de demanda, sem prejudicar a circulação dos trens em áreas remotas.
Os resultados também orientarão decisões sobre manutenção e investimentos em infraestrutura. A empresa ainda não estabeleceu data para o uso comercial regular das quatro locomotivas nem divulgou estimativas de redução do consumo de diesel ou do custo do transporte.