Ferrovias
Cosan transfere 20,33% da Rumo para fundo do BTG
Pacote de 377,8 milhões de ações tem valor de mercado estimado em R$ 7 bilhões
A Cosan aprovou a transferência de 20,33% do capital da Rumo para o Maglev Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia (FIP), que será gerido pelo BTG Pactual. A operação envolve 377,8 milhões de ações ordinárias da companhia ferroviária, avaliadas em aproximadamente R$ 7 bilhões a preços de mercado, e ocorre em meio à estratégia de redução do endividamento da holding.
A decisão foi aprovada pelo conselho de administração da Cosan em 6 de outubro e divulgada ao mercado em 16 de outubro. As ações serão utilizadas para integralizar as cotas do fundo, que terá a própria Cosan como única cotista. Dessa forma, a transferência não configura uma venda da participação na Rumo nem gera entrada imediata de recursos no caixa da holding.
Considerando o preço de fechamento de R$ 18,58 por ação da Rumo em 16 de outubro, o lote transferido alcançava valor estimado de R$ 7,02 bilhões. O montante corresponde a uma referência de mercado, e não ao preço de uma transação de venda.
A estrutura permite que a Cosan mantenha exposição indireta à operadora ferroviária por meio do fundo, administrado e gerido pelo BTG. Após a conclusão da operação, o FIP Maglev será considerado uma subsidiária relevante da holding e ficará sujeito às regras de governança previstas no acordo de acionistas firmado em novembro de 2025.
A companhia não informou um objetivo específico para a transferência nem estabeleceu prazo para uma eventual negociação das ações. A estrutura, contudo, pode facilitar futuras operações envolvendo a participação, incluindo a entrada de investidores no fundo ou outras transações financeiras com os papéis.
Redução do endividamento
A reorganização societária ocorre em meio aos esforços da Cosan para reduzir a alavancagem e as despesas financeiras após um período de expansão financiada parcialmente por endividamento.
Ao final do segundo trimestre de 2026, a dívida líquida expandida da Cosan Corporate somava R$ 9,22 bilhões, queda de aproximadamente 20% em relação ao trimestre anterior. No período, a holding registrou prejuízo líquido de R$ 320 milhões.
A estratégia de desalavancagem inclui a venda ou redução de participações em diferentes negócios. Em maio, a Cosan levantou cerca de R$ 2,3 bilhões líquidos com a oferta pública inicial de ações (IPO) da Compass, sua controlada de distribuição de gás natural, reduzindo sua participação na empresa para 76,18%.
Em julho, a holding também confirmou acordos para a venda de 41,2 mil hectares do portfólio da Radar, por R$ 1,85 bilhão. Em agosto, formalizou uma carta de intenções para vender sua participação no Porto São Luís, no Maranhão, por R$ 300 milhões, operação que ainda dependia da conclusão das negociações.
A pressão financeira sobre o grupo também envolve a Raízen, joint venture com a Shell que entrou em recuperação extrajudicial em março de 2026. O plano de reestruturação, homologado pela Justiça em julho, abrange mais de R$ 60 bilhões em dívidas financeiras.
Em junho, a Cosan contratou o BTG Pactual como assessor financeiro para avaliar alternativas relacionadas à participação na Rumo. Em agosto, confirmou o recebimento de propostas vinculantes de interessados na aquisição de parte dessa participação. A companhia não informou se a transferência para o FIP Maglev está diretamente relacionada às tratativas.
A Rumo opera uma malha ferroviária superior a 14 mil quilômetros, com presença em importantes corredores de escoamento da produção agrícola brasileira. A infraestrutura conecta regiões produtoras a terminais portuários e desempenha papel relevante no transporte de grãos e outras commodities destinadas ao mercado interno e à exportação.