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Matheus Oliva

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Transações, capital e financiamento em portos, óleo e gás e navegação

A semana separou o preço que a tela mostra do preço que alguém paga. A Vale caiu de R$ 72,10 para R$ 66,36 entre 2 e 19 de outubro, perto de 8%, e perdeu R$ 24,6 bilhões de valor de mercado enquanto o Ibovespa subia; a companhia divulga a produção do trimestre em 29 de outubro e, até lá, o que existe é cotação. A Cosan, com o BTG Pactual contratado desde junho e propostas vinculantes recebidas em agosto, encerrou em 21 de outubro a exclusividade sem conseguir vender qualquer fração dos 20,33% da Rumo, lote que vale R$ 7,02 bilhões ao preço de tela de 16 de outubro. Dias antes, transferiu as 377,8 milhões de ações a um fundo do qual é a única cotista. Nenhum real entrou. O capital que de fato se moveu esta semana foi contra contrato, não contra cotação: Shell, TotalEnergies e Petrogal pagam US$ 859 milhões à Petrobras por produção já realizada; a Capital Tankers levantou US$ 930 milhões sobre onze cascos em construção; o Fundo da Marinha Mercante deu prioridade a R$ 585,9 milhões em balsas e empurradores com estaleiro nomeado. Cotação é o que o mercado diz; preço é o que o comprador assina. No Brasil de outubro de 2026, a distância entre os dois é a medida do risco.

COMPRARAM   fusões e aquisições 2

  1. Shell, TotalEnergies e Petrogal pagam US$ 859 milhões à Petrobras por Berbigão e Sururu

A Petrobras receberá cerca de US$ 859 milhões de Shell, TotalEnergies e Petrogal, até novembro, pela equalização de custos e receitas dos campos de Berbigão e Sururu, no pré-sal da Bacia de Santos, que se sobrepõem ao bloco BM-S-11A e à área da Cessão Onerosa, 100% da estatal. Pelos acordos de individualização aprovados pela ANP, a Petrobras passa de 42,5% no bloco a 62,913% em Berbigão e 45,394% em Sururu; Shell fica com 16,125% e 23,742%, TotalEnergies com 14,512% e 21,367%, Petrogal com 6,45% e 9,497%. O acerto reconcilia a produção realizada até 30 de abril de 2026: as sócias devolvem a parcela das receitas que, pela nova divisão, cabia à área exclusiva da Petrobras.

  1. International Seaways leva quatro VLCC da Bruton por US$ 370 milhões em ações

A International Seaways, armadora americana de petroleiros, acertou em 16 de outubro a compra da norueguesa Bruton, listada em Oslo, por cerca de US$ 370 milhões, 96% em 3,12 milhões de ações próprias e 4% em caixa, a 0,0519 ação por papel na primeira etapa, com os 50,5% já comprometidos liquidados em 20 de outubro, e o restante em caixa. Entram o Mount Vision, de 300 mil toneladas, entregue em julho e afretado a US$ 95 mil por dia, e três irmãos no estaleiro chinês New Times, com entregas até outubro de 2027, um deles já afretado a US$ 105,7 mil por dia. Para o Brasil, que exporta o óleo do pré-sal em VLCC, US$ 95 mil e US$ 105,7 mil por dia são a diária que a carga brasileira paga hoje.

INVESTIRAM   capex e decisões finais de investimento 2

  1. HMM contrata oito porta-contêineres a GNL por US$ 1,44 bilhão, US$ 180 milhões por navio

A sul-coreana HMM fechou em 20 de outubro com a HD Korea Shipbuilding & Offshore Engineering oito porta-contêineres de 13.000 TEU com propulsão dual-fuel a GNL por KRW 1,92 trilhão, ou US$ 1,44 bilhão, cerca de US$ 180 milhões por unidade. Dois serão construídos na HD Hyundai Heavy, em Ulsan, e seis na HD Hyundai Samho, em Yeongam, com entregas até 2029 e emprego previsto na rota Extremo Oriente–Índia–Mediterrâneo. Para o Brasil, US$ 180 milhões é a referência de custo do navio de 13.000 TEU, o porte dos maiores navios que hoje escalam Santos.

  1. Dongwon põe US$ 151 milhões para automatizar um terminal em Busan até 2028

A Dongwon Global Terminal Busan, do grupo sul-coreano Dongwon, anunciou em 21 de outubro investimento de KRW 200 bilhões, cerca de US$ 151 milhões, na automação do terminal oeste do Porto Novo de Busan, com veículos guiados automaticamente, equipamentos de pátio e sistema operacional novo, para conclusão em 2028. O ganho de capacidade não foi informado. Para o Brasil, é o custo de referência de automatizar um terminal de contêineres já em operação, com equipamento de pátio e sistema incluídos.

FINANCIARAM   crédito e project finance 2

  1. Capital Tankers levanta US$ 930 milhões sobre onze VLCC que ainda não existem

A Capital Tankers, do armador grego Evangelos Marinakis, fechou em 20 de outubro US$ 930,3 milhões em financiamento para onze petroleiros de grande porte em construção: US$ 450,6 milhões para cinco de 307 mil toneladas na chinesa Dalian Shipbuilding, US$ 241,8 milhões para três de 320 mil na sul-coreana Hanwha Ocean e US$ 237,9 milhões para três de 306 mil na chinesa Hengli. Os balões no vencimento vão de US$ 39,7 milhões a US$ 60,9 milhões por navio, e os bancos não foram nomeados. Em paralelo, vendeu e realugou o suezmax Amor por US$ 64,5 milhões. Para o Brasil, é a régua de alavancagem: perto de US$ 85 milhões de dívida por casco antes da entrega.

  1. Fundo da Marinha Mercante dá prioridade a R$ 585,9 milhões da LHG em dois estaleiros do Norte

A LHG Logística obteve prioridade de R$ 585,9 milhões no Fundo da Marinha Mercante: R$ 327,6 milhões para três empurradores fluviais de 4.800 kW no Estaleiro Juruá, em Iranduba, no Amazonas, em 48 meses, e R$ 258,3 milhões para modernizar 206 balsas mineraleiras no Estaleiro Rio Maguari, em Belém, em 55 meses, com 320 empregos diretos. É a quarta maior rubrica divulgada do pacote de R$ 8,3 bilhões de 8 de outubro, atrás de Mar Azul, Paranaguá e Aracruz, e a primeira da Região Norte com estaleiro, prazo e número de cascos definidos. Prioridade não é contrato de crédito, e o agente financeiro não foi divulgado.

CONTRATARAM   serviços e acordos 1

  1. Transocean soma US$ 550 milhões com duas sondas a quase US$ 500 mil por dia

A Transocean anunciou em 19 de outubro contratos que acrescentam cerca de US$ 550 milhões à carteira firme no Golfo do México americano: o navio-sonda Deepwater Proteus fará dez poços em cerca de 700 dias, aproximadamente US$ 325 milhões, a partir do primeiro trimestre de 2027; o Deepwater Conqueror, cinco poços em cerca de 450 dias, US$ 225 milhões sem mobilização, a partir do terceiro trimestre. O operador não foi identificado. As diárias implícitas ficam entre US$ 464 mil e US$ 500 mil, e é essa a diária de referência para as renovações de sondas no pré-sal.

ENTRARAM E SAÍRAM   private equity e desinvestimento 3

  1. Cosan não vende a Rumo, estaciona 20,33% num fundo e encerra a exclusividade

A Cosan, de Rubens Ometto, comunicou em 21 de outubro o fim do período de exclusividade com os interessados na Rumo sem acordo para alienar qualquer fração da participação, quatro meses depois de contratar o BTG Pactual e dois meses após receber propostas vinculantes. Em 16 de outubro já havia informado a transferência das 377,8 milhões de ações, ou 20,33% da ferrovia, ao FIP Maglev, gerido pelo BTG e do qual é a única cotista: R$ 7,02 bilhões ao preço de R$ 18,58, sem entrada de caixa. A dívida líquida expandida da holding era de R$ 9,22 bilhões em junho.

  1. China Merchants, dona do TCP de Paranaguá, desiste de US$ 392 milhões em Colombo

A China Merchants Port anunciou em 15 de outubro a saída do centro logístico de US$ 392 milhões que erguia no porto de Colombo, no Sri Lanka, lançado em 2023 sob concessão de 50 anos, no qual detinha 70% ao lado da local Access Engineering e da autoridade portuária cingalesa, com 15% cada. A autoridade pagará US$ 21,9 milhões à sociedade do projeto em 30 dias; somados aos US$ 7,85 milhões em caixa, cerca de US$ 20,8 milhões voltam à chinesa. O motivo declarado foi a mudança de circunstâncias e de cronograma. Para o Brasil, o dado é o controlador do TCP, em Paranaguá, devolvendo capital em Colombo na mesma semana em que põe à venda um terminal em Qingdao.

  1. China Merchants e COSCO leiloam 70% do terminal de minério que recebe os Valemax em Qingdao

China Merchants Port, COSCO Shipping Ports e a singapurense IMC puseram à venda, em leilão na bolsa de ativos de Pequim, 70% do terminal de minério de Dongjiakou, em Qingdao, por preço mínimo de 1,92 bilhão de yuans, cerca de US$ 287 milhões, com propostas até 11 de novembro. As duas estatais têm 25% cada, piso de US$ 102 milhões por fatia, e a IMC, 20%; a Qingdao Port International fica com 30%. O terminal opera desde 2013 e recebe navios de 400 mil toneladas. Para o Brasil, é uma das portas de entrada do minério de Carajás na China que troca de dono.

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