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Giovanni Cavalcanti Paiva

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Eleições: O circo está armado. As câmeras estão ligadas, a audiência está garantida e os candidatos entram em cena. Mas onde estão as propostas?

O verdadeiro problema surge quando o eleitor passa a confundir habilidade para atacar o adversário com capacidade para governar. Vencer um embate verbal não significa possuir um bom plano de governo, assim como fazer acusações não equivale a apresentar provas ou soluções.

As eleições fazem parte do nosso processo democrático. Nesse contexto, é válida qualquer coisa ética para valorizar o seu candidato. Discutir ideias, programas, com foco nos valores, é o que deveria mover as campanhas.

Mas, na verdade, estamos escolhendo quem vai governar o País ou apenas quem sabe ofender melhor diante das câmeras? A pergunta pode parecer provocativa, mas traduz uma distorção preocupante do processo eleitoral: aquilo que deveria ser um exercício de esclarecimento e confronto de ideias vem, muitas vezes, se transformando em um espetáculo de acusações, ironias e ataques pessoais. No lugar de propostas, assistimos a provocações; no lugar de soluções, a disputas por aplausos; no lugar de estadistas, personagens de um palco político que parece valorizar mais o conflito do que a capacidade de governar. Ganha aquele que desestabiliza o outro.

Reitero que as eleições têm como objetivo fundamental permitir que a população escolha seus representantes e defina os rumos políticos, econômicos e sociais do País. Para isso, os eleitores precisam conhecer as propostas dos candidatos, avaliar seus planos de governo, comparar suas experiências e compreender como pretendem enfrentar os principais problemas nacionais.

Entretanto, os debates entre presidenciáveis frequentemente se afastam desse propósito. Em vez de priorizarem a apresentação de propostas concretas, metas, custos, prioridades e estratégias de execução, transformam-se em verdadeiros confrontos pessoais, marcados por ofensas, ironias e trocas de acusações. O tempo que deveria ser dedicado à discussão de educação, saúde, segurança, infraestrutura, emprego e equilíbrio das contas públicas acaba consumido por disputas retóricas e ataques mútuos.

Nesse ambiente, a política corre o risco de se transformar em espetáculo. Candidatos, assessores e veículos de comunicação podem encontrar vantagens na exploração de conflitos, pois frases agressivas, provocações e momentos de tensão tendem a atrair atenção e gerar repercussão. A audiência, os cortes para as redes sociais e a busca por engajamento podem acabar valendo mais do que a qualidade do debate democrático. A discussão deixa de ser sobre o futuro do País e passa a girar em torno de quem atacou, quem respondeu e quem aparentemente levou a melhor no confronto.

Se os debates oferecem tão pouco conteúdo e tanta hostilidade, por que continuamos a premiá-los com nossa atenção?

Isso é o que é triste.  A situação não pode ser atribuída exclusivamente aos candidatos ou à imprensa. O público também tem responsabilidade quando consome, compartilha e recompensa conteúdos que privilegiam a agressividade em detrimento da informação. Isso não significa que a população seja simplesmente ignorante, mas que a falta de educação política, o acesso limitado a informações qualificadas e a tendência de acompanhar apenas aquilo que confirma convicções pessoais podem contribuir para a perpetuação desse modelo.

O verdadeiro problema surge quando o eleitor passa a confundir habilidade para atacar o adversário com capacidade para governar. Vencer um embate verbal não significa possuir um bom plano de governo, assim como fazer acusações não equivale a apresentar provas ou soluções.

Uma democracia madura exige mais do que candidatos dispostos a confrontar seus adversários e espectadores interessados em assistir ao espetáculo. Exige cidadãos críticos, capazes de questionar, comparar propostas, verificar informações e cobrar compromissos. O debate eleitoral deveria ser uma oportunidade de esclarecimento, não uma competição de ofensas. Afinal, o objetivo das eleições não é escolher quem melhor domina o palco, mas quem apresenta condições, propostas e compromissos para governar o País.

Giovanni Cavalcanti Paiva. CEO da GCP Consult.

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