Rodovias
Acesso à Ponte Bioceânica é a principal obra na lista de prioridades do TCU
Obra precisa de R$ 279 milhões para ser concluída e foi apontada como prioridade em lista de 10 obras
A conclusão do acesso brasileiro à Ponte Internacional da Rota Bioceânica, em Porto Murtinho (MS), precisará de R$ 279,1 milhões em recursos para avançar até o fim de 2027. O empreendimento na BR-267 foi apontado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) como a principal prioridade entre dez obras rodoviárias que necessitam de investimentos para serem concluídas no próximo ano.
O valor corresponde a aproximadamente 53% dos R$ 524,8 milhões estimados pelo Tribunal para finalizar os dez empreendimentos, distribuídos pelas cinco regiões do Brasil. A relação foi aprovada na quarta-feira (21), como parte do relatório Fiscobras 2026, e encaminhada ao Congresso Nacional para subsidiar a discussão do Orçamento federal de 2027.
Com os recursos, será possível concluir a infraestrutura viária que permitirá conectar a malha rodoviária brasileira à ponte sobre o Rio Paraguai, entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai. A travessia integra o Corredor Rodoviário Bioceânico, planejado para ligar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, com acesso aos portos chilenos do Pacífico.
O projeto do acesso rodoviário pelo lado brasileiro está sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), e prevê um trecho de 13,1 quilômetros na BR-267, com seis pontes, um viaduto e a conexão com a estrutura internacional.
O empreendimento inclui intervenções necessárias para integrar a ponte à rodovia e permitir a circulação de veículos de carga. Sem a conclusão dos acessos e das estruturas complementares, a entrega da travessia internacional não garante, por si só, o funcionamento pleno do corredor logístico.
A Rota Bioceânica pretende criar uma alternativa para o transporte de mercadorias brasileiras em direção aos mercados asiáticos, por meio dos portos do norte do Chile. A conexão também busca ampliar a integração comercial entre os países sul-americanos e oferecer uma nova opção logística para exportadores do Centro-Oeste.
Congresso decide
A recomendação do TCU integra uma nova metodologia para indicar empreendimentos que podem receber prioridade na distribuição de recursos federais. A análise considera a relevância das obras, o estágio de execução, a maturidade dos projetos e o risco de continuidade de um ritmo lento de construção em razão de restrições orçamentárias.
Além do acesso à Ponte Bioceânica, a lista inclui a construção da Ponte do Xingu, na BR-230, no Pará, que precisa de R$ 67,9 milhões, e intervenções na BR-319, no Amazonas, com necessidade estimada de R$ 43,9 milhões.
Também foram selecionadas obras nas rodovias BR-116, no Rio Grande do Sul; BR-070, em Goiás; BR-367, em Minas Gerais; BR-235, na Bahia; BR-470, em Santa Catarina; BR-447, no Espírito Santo; e BR-222, no Ceará.
A inclusão na relação não garante a liberação dos recursos. O documento tem caráter informativo e busca subsidiar os parlamentares na definição das prioridades do Orçamento de 2027. A decisão sobre a destinação das verbas caberá ao Congresso Nacional.