Estilo BE
Sempre é tempo de falar sobre o tema

A Dra. Mariana Baraldi Quintiliano Xavier de Castro, ginecologista e mastologista, era uma garotinha de dois anos quando vivenciou uma experiência que marcaria sua vida. Ela se lembra com emoção do dia em que sua mãe foi fazer uma mamografia.“Eu a vi entrando naquela máquina e pude perceber que ela não estava confortável. Ela decidiu fazer o exame depois de assistir a um programa sobre o Outubro Rosa, apresentado por Ana Maria Braga, no qual o Dr. Drauzio Varella falava sobre o autoexame. Ela sentiu um caroço na mama, fez o exame e, depois, a biópsia. Eu, meu pai e meu irmão ficamos no carro, porque ela quis ir sozinha para receber o diagnóstico. Quando voltou, estava chorando, desesperada. Ela deixou meu pai e meu irmão em Belém do Pará, e nós duas fomos para Curitiba, cidade para a qual nos mudamos mais tarde. Esse fato influenciou minha escolha profissional e, hoje, ajudo mulheres como a minha mãe.”
Depois desse relato emocionante, vamos saber mais?
Qual é a importância do Outubro Rosa?
O Outubro Rosa não é apenas para quem nunca teve a doença. É para todas as mulheres que, ao verem um monumento iluminado de rosa, devem se lembrar de que estamos valorizando suas lutas. É também para que amigos e familiares reconheçam a importância de estar ao lado dessas mulheres, participar de sua jornada e oferecer acolhimento. O Outubro Rosa teve origem em Nova York, quando uma mulher distribuiu fitas cor-de-rosa aos participantes de uma maratona, com a concordância dos corredores, em homenagem à sua irmã, Susan, que tinha câncer. A partir daí, a iniciativa se espalhou pelo mundo. No Brasil, a iluminação de monumentos e outros marcos com a cor rosa tornou-se uma das formas de dar visibilidade à campanha.
Falar da doença é falar em prevenção, certo?
Sempre. No Brasil, as trabalhadoras têm direito a até três dias de ausência do trabalho, a cada 12 meses, para a realização de exames preventivos de câncer, desde que apresentem comprovação, mas muitas pessoas desconhecem esse direito.
Da mesma forma, as mulheres têm direito à reconstrução mamária, tanto na rede privada quanto pelo SUS, embora saibamos que, na rede pública, o acesso pode ser mais difícil e demorado.
Qual o valor da conscientização?
O câncer de mama é um dos tipos de câncer mais incidentes entre as mulheres e também pode acometer os homens, embora aproximadamente 99% dos casos ocorram no sexo feminino. Estima-se que uma em cada oito mulheres desenvolverá câncer de mama ao longo da vida nos Estados Unidos. Esse dado pode variar quando consideramos a realidade brasileira, devido às diferenças populacionais e epidemiológicas. O que precisamos conscientizar é que essa é uma doença frequente, mas para a qual existem estratégias de redução de riscos, rastreamento, diagnóstico precoce e tratamentos que podem levar à cura.
O diagnóstico e o tratamento também afetam a família, não é?
Sim. O câncer não afeta apenas a mulher diagnosticada, mas também envolve toda a família. Por isso, é fundamental que médicos, parceiros, filhos e pais estejam presentes para oferecer apoio. Os sentimentos e os desafios decorrentes do diagnóstico envolvem todos os familiares. Sempre que dou um diagnóstico a uma paciente, faço questão de falar a verdade. Digo que será um ano difícil e que, se hoje é dia de chorar, amanhã será dia de recomeçar. Reforço que estarei ao lado dela e que enfrentaremos
Faço questão de disponibilizar meu telefone aos filhos das pacientes, que muitas vezes ficam com dúvidas e preocupações, mas não querem conversar sobre elas na frente da mãe.
Pode falar sobre a vacina contra o HPV?
Temos a vacina contra o HPV, que previne a infecção pelo papilomavírus humano, responsável por praticamente todos os casos de câncer do colo do útero e associado também a outros tipos de câncer, como os de ânus, pênis, vulva e orofaringe, além de verrugas genitais. A vacina é oferecida gratuitamente pelo SUS para os públicos elegíveis, incluindo crianças e adolescentes. Infelizmente, ainda existe desinformação e baixa adesão à vacinação, conforme demonstram os dados de cobertura vacinal.
Por que ainda muitos pais não vacinam?
Acredito que por desinformação. Vacinar não significa incentivar o início precoce da vida sexual, mas, sim, proteger crianças e adolescentes contra doenças que podem ser prevenidas. A vacinação de rotina é recomendada dos 9 aos 14 anos, período em que a resposta imunológica costuma ser excelente e a proteção pode ser estabelecida antes de uma eventual exposição ao vírus. Por isso, quem tem filhos, sobrinhos ou netos deve incentivar a vacinação.
Em que idade é preciso começar a investigar?
Também é essencial lembrar a importância do rastreamento do câncer do colo do útero, que deve ser iniciado aos 25 anos de idade para mulheres que já tiveram atividade sexual, conforme as recomendações brasileiras aplicáveis.
Qual o papel das empresas?
As empresas têm um papel fundamental no Outubro Rosa porque são espaços de convivência, informação e transformação social. Ao abraçarem essa campanha, elas ajudam a levar conhecimento sobre o câncer de mama, incentivam a prevenção e, principalmente, estimulam as mulheres a cuidarem da própria saúde.