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Rodovias

Espera para descarregar caminhões atinge recorde de dez anos na Grande SP

Atualizado em: 27 de outubro de 2026 às 10:36
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Pesquisa em 175 estabelecimentos revela tempo médio de 5h09, quase uma hora acima de 2024, e identifica deficiências na infraestrutura de recebimento

Os caminhões que realizam entregas nos principais estabelecimentos recebedores de cargas da Região Metropolitana de São Paulo enfrentaram um tempo médio de descarga de 5 horas e 9 minutos em 2025, o maior registrado nos últimos dez anos. Nos centros de distribuição, a média chegou a 11 horas e 40 minutos, segundo levantamento do Instituto Paulista do Transporte de Carga (IPTC), realizado a pedido do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp).

A pesquisa, conduzida entre junho e novembro de 2025, avaliou 175 estabelecimentos e identificou dificuldades operacionais que comprometem a produtividade do transporte rodoviário. Entre os principais problemas estão a insuficiência de docas, a falta de espaços adequados para estacionamento dos veículos e a incompatibilidade entre o volume de entregas e a capacidade de recebimento das instalações.

O tempo médio apurado representa um aumento de quase uma hora em relação a 2024. O resultado também ultrapassou as 4 horas e 27 minutos registradas em 2016, até então a maior marca da série de dez anos.

Os atrasos variam de acordo com o tipo de estabelecimento. Além das 11h40 verificadas nos centros de distribuição, o estudo identificou tempo médio de 5h56 nos atacadistas, 4h33 nos home centers e 3h05 nos supermercados.

As diferenças mostram que a capacidade de atendimento e a organização das operações de recebimento influenciam diretamente o período de permanência dos caminhões.

A pesquisa também identificou que apenas 13% dos estabelecimentos analisados possuem vagas destinadas especificamente à carga e descarga. Nos demais 87%, os espaços de estacionamento são reservados a clientes, situação que dificulta a acomodação dos veículos de transporte durante as entregas.

Entre os outros obstáculos observados estão a insuficiência de funcionários para conferência de mercadorias, as exigências relacionadas à devolução de paletes e as dificuldades de conciliação dos horários de recebimento.

Custos operacionais

A demora nas operações de descarga compromete a disponibilidade dos veículos para novas viagens. Enquanto permanece aguardando atendimento, o caminhão continua gerando despesas para a transportadora, sem que possa ser utilizado em outra operação.

A imobilização prolongada também interfere na programação das jornadas dos motoristas, no cumprimento dos prazos contratados e na utilização dos equipamentos.

O problema tem implicações financeiras previstas na legislação. A Lei nº 11.442/2007 estabelece prazo máximo de cinco horas para as operações de carga e descarga, contado a partir da chegada do veículo ao endereço de destino. Após esse período, o transportador tem direito ao pagamento adicional calculado por tonelada e por hora ou fração de atraso.

Em maio de 2026, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou o valor da indenização para R$ 2,50 por tonelada/hora ou fração.

Considerando uma carga de 30 toneladas e uma permanência de 11 horas no estabelecimento, as seis horas excedentes resultariam em pagamento adicional de R$ 450, conforme o valor informado para o período.

O registro dos horários de chegada e saída dos veículos é necessário para a comprovação do tempo de permanência e a eventual cobrança da indenização.

Gestão das operações

A redução das esperas envolve tanto investimentos na infraestrutura de recebimento quanto melhorias no planejamento das entregas.

Entre as alternativas discutidas pelo setor estão sistemas de agendamento eletrônico de docas, acompanhamento da ocupação dos pátios e integração das informações entre embarcadores, transportadoras e estabelecimentos recebedores.

Essas ferramentas permitem distribuir as entregas ao longo do expediente e reorganizar horários diante de atrasos ou mudanças nas operações. A eficiência dos sistemas, entretanto, depende da disponibilidade de equipamentos, equipes e espaços suficientes para atender à demanda.

A digitalização dos processos foi um dos temas debatidos durante a Sightline 2027, conferência realizada em setembro, em Chicago, nos Estados Unidos, pela empresa de tecnologia logística Loadsmart.

O encontro apresentou aplicações de automação e inteligência artificial para atividades como reagendamento de docas, conferência de documentos, contratação de fretes e integração de informações entre sistemas.

A experiência apresentada por empresas participantes destacou dificuldades provocadas pela falta de sincronização de dados, incluindo divergências entre os prazos registrados pelos sistemas de transporte e de gestão empresarial.

Os resultados do levantamento paulista indicam que a redução do tempo de descarga dependerá de melhorias simultâneas na organização dos processos e na estrutura física dos estabelecimentos.

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TAGS IPTC logística São Paulo
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