Sustentabilidade
Holanda anuncia US$ 500 milhões para fundo de florestas tropicais
Compromisso prevê aportes ao longo de dez anos e eleva para US$ 7,8 bilhões os recursos prometidos à iniciativa liderada pelo Brasil
O governo dos Países Baixos anunciou um compromisso de investimento de até US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões) no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), iniciativa liderada pelo Brasil para financiar a conservação de florestas tropicais. O aporte será distribuído ao longo de dez anos e eleva para US$ 7,8 bilhões o total de recursos anunciados para o mecanismo.
A decisão foi comunicada ao Parlamento neerlandês na segunda-feira (26), um dia após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O compromisso ainda depende do cumprimento de condições relacionadas à estruturação financeira do fundo. A formalização da contribuição está prevista para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), em novembro, na Turquia.
Com a adesão dos Países Baixos, o TFFF fica US$ 2,2 bilhões abaixo da meta inicial de captar US$ 10 bilhões até o fim de 2026. No longo prazo, a iniciativa pretende mobilizar US$ 125 bilhões, sendo US$ 25 bilhões em recursos de governos e US$ 100 bilhões provenientes de investidores privados.
O anúncio foi feito pelo ministro de Comércio Exterior e Cooperação para o Desenvolvimento dos Países Baixos, Sjoerd Sjoerdsma. Segundo ele, as mudanças climáticas representam uma ameaça à segurança, à prosperidade e às liberdades.
Lançado pelo Brasil durante a COP30, realizada em Belém (PA), em novembro de 2025, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre busca estabelecer um mecanismo permanente de financiamento para países que conservam suas florestas tropicais.
O modelo prevê a aplicação dos recursos captados no mercado financeiro, com a utilização dos rendimentos líquidos para remunerar os países participantes de acordo com os resultados de conservação florestal. A proposta é oferecer uma fonte contínua de financiamento, em vez de depender exclusivamente de doações ou de projetos ambientais com prazo determinado.
A remuneração indicativa é de cerca de US$ 4 por hectare de floresta preservada por ano. A manutenção da cobertura vegetal será monitorada por imagens de satélite, e os pagamentos poderão ser reduzidos em casos de desmatamento ou degradação florestal.
O mecanismo também prevê a destinação de pelo menos 20% dos recursos recebidos pelos países participantes a povos indígenas e comunidades locais, que desempenham papel na proteção dos territórios florestais.
Além dos Países Baixos, a iniciativa conta com compromissos anunciados por Brasil, Noruega, Indonésia, França, Alemanha, Reino Unido e Luxemburgo, entre outros parceiros. A Noruega, que anunciou cerca de US$ 3 bilhões, condicionou a liberação dos recursos ao alcance da meta inicial de captação de US$ 10 bilhões até o encerramento de 2026.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a adesão neerlandesa representa um voto de confiança na iniciativa brasileira.
A expectativa é que o fundo entre em operação em meados de 2027. A estrutura pretende combinar recursos públicos e privados para financiar a conservação de até 900 milhões de hectares de florestas tropicais, segundo estimativas divulgadas pelo governo dos Países Baixos.