Energia
Nova Mutum inaugura planta de diesel do etanol de milho
Unidade da Q-Diesel do Brasil funcionará como laboratório de homologação
A produção de um combustível renovável a partir do etanol de milho ganhou uma nova etapa com a inauguração de uma planta da Q-Diesel do Brasil em Nova Mutum (MT). Lançada nesta semana, a unidade funcionará inicialmente como laboratório de homologação da tecnologia, desenvolvida ao longo de uma década de pesquisas e testes realizados no Brasil e nos Estados Unidos.
O objetivo é validar o desempenho do chamado Q-Diesel e preparar a tecnologia para uma possível expansão industrial. O modelo foi estruturado para permitir que usinas de etanol já em operação incorporem a produção do combustível às instalações existentes. Após a fase de homologação, a proposta é licenciar o processo para produtores nacionais e estrangeiros.
A iniciativa amplia as possibilidades de aproveitamento do milho na cadeia de biocombustíveis. Além da produção de etanol e do DDG, coproduto utilizado na alimentação de bovinos, o projeto prevê direcionar parte do biocombustível para a fabricação de uma alternativa ao diesel de origem fóssil, voltada ao abastecimento de máquinas e equipamentos agrícolas.
O modelo foi apresentado pelo Agro Club Tecnológico e pela CooperAgro. O representante do Q-Diesel e sócio do projeto, Marcos Lima, afirmou que a iniciativa pode gerar benefícios ambientais e econômicos para os produtores e para as regiões onde a tecnologia for implantada.
Homologação condiciona expansão
A validação técnica é uma etapa necessária para avaliar a aplicação do combustível e sustentar a expansão do processo para outras unidades industriais. Entre os benefícios apontados pelos responsáveis pelo projeto estão a possibilidade de reduzir a dependência de combustíveis importados, diminuir custos de manutenção de motores e contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Esses resultados, porém, ainda dependem dos testes e da comprovação do desempenho do produto. A expectativa dos idealizadores é que o licenciamento permita replicar o modelo em usinas que já produzem etanol de milho, criando uma nova possibilidade de agregação de valor à cadeia agrícola.
A iniciativa também busca aproximar a produção de biocombustíveis da demanda do agronegócio por alternativas energéticas. Nesta fase, entretanto, a planta de Nova Mutum tem como principal função a homologação da tecnologia, e não foi divulgada uma previsão de produção comercial, capacidade instalada ou investimento destinado à unidade.