Brasil Export
Kawasaki projeta comercialização de H2V na próxima década
Comitiva do Brasil Export em viagem ao Japão conheceu os planos da corporação para consolidar a cadeia de negócios do combustível verde
A Kawasaki Heavy Industries, multinacional japonesa especializada na fabricação de motocicletas, motores, equipamentos industriais, aeroespaciais e navios, projeta a consolidação do mercado global de hidrogênio verde (H2V) e o início efetivo de sua comercialização internacional para a próxima década. Para isso, se prepara com a implantação de terminais portuários para a movimentação do combustível sustentável e, ainda, o desenvolvimento de navios de maiores dimensões para seu transporte e de tanques, para seu armazenamento.
Porém a Kawasaki vê um desafio nessa jornada. O hidrogênio verde não figura entre as primeiras opções de combustíveis sustentáveis do mercado e sua cadeia de negócios precisa crescer.
A análise é do executivo sênior Kazushi Koguchi, do Departamento de Suporte e Desenvolvimento de Negócios, da Divisão da Estratégia de Hidrogênio da Kawasaki Heavy Industries. Na manhã dessa segunda-feira, dia 2, na unidade da Kawasaki no Aeroporto de Kobe, que fica na ilha aeroportuária da cidade, ele recebeu a comitiva da missão do Brasil Export ao Japão, para debater o mercado de H2V e os planos do conglomerado japonês a fim de desenvolver essa cadeia de negócios.
Para Koguchi, o hidrogênio verde é o combustível sustentável de maior potencial atualmente. Ele não fez comentários sobre o alto custo internacional do H2V: no Japão, no ano passado, chegou a ser comercializado por US$ 23 o quilo; no Brasil, por exemplo, seu custo de produção varia de US$ 2,83 e US$ 6,16 por kg, podendo reduzir esses valores em US$ 1,5 com a expansão da demanda. Mas destaca seu impacto no ecossistema. A produção não gera qualquer resíduo poluente, o que leva a ser considerado efetivamente verde se a energia utilizada nessa operação não gerar qualquer carbono.
Acreditando nessa visão, a Kawasaki busca consolidar uma infraestrutura logístico-industrial desenhada para transformar o hidrogênio de uma aposta tecnológica em uma commodity global transacionável. E suas principais ações estão concentradas no Porto de Kobe, que também fica na ilha aeroportuária da cidade, na Baía de Kansai, no centro-oeste da ilha de Honshu, no Japão.
Kazushi Koguchi apresentou três iniciativas da corporação voltadas ao mercado de H2V. A primeira foi construção do primeiro navio transportador do combustível, com um tanque de 1.250 metros cúbicos e 116 metros de comprimento, o Suiso Frontier (o nome traz uma peculiariedade – Suiso é Hidrogênio em japonês). O segundo foi a criação do primeiro terminal portuário para embarcar ou desembarcar o produto, o Hy Touch Kobe, com um tanque de armazenagem de 2.500 metros cúbicos, em 2020. E o terceiro envolveu a implantação do primeiro gerador e da primeira usina do combustível, neste ano, ambos no Porto de Kobe.
Como consequência, o complexo portuário tornou-se uma vitrine dessa operação, provando a viabilidade logística dessa cadeia de negócios.
Atualmente, segundo Kazushi Koguchi, a Kawasaki busca desenvolver essas tecnologias. Até 2030, quer ter navios com capacidade individual de transporte de 40 mil metros cúbicos e tanques de armazenagem em terra de 50 mil metros cúbicos. Segundo executivo, são ações essenciais, que vão ajudar nos planos da companhia para consolidar o mercado de H2V.
As ações adotadas pela Kawasaki, para fortalecer a cadeia de negócios do H2VA, puderam ser conhecidas pela comitiva do Brasil Export. Logo após a reunião com Koguchi na manhã de ontem, eles deixaram o aeroporto e foram até a zona portuária, onde puderam conhecer o terminal marítimo especializado no embarque e no desembarque do combustível, seu tanque de 2.500 metros cúbicos e a usina.