Petróleo e Gás
Petrobras bate recorde de produção de petróleo e gás com alta de 11,7%
Volume produzido pela estatal alcançou 3,5 milhões de barris equivalentes por dia no terceiro trimestre
A Petrobras registrou produção própria média de 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) no terceiro trimestre de 2026, o maior volume de sua história. O resultado, que inclui petróleo, líquidos de gás natural e gás, representa aumento de 11,7% em relação ao mesmo período de 2025 e de 5,3% na comparação com o segundo trimestre deste ano. Os números constam do relatório operacional divulgado pela estatal.
Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado pela maior eficiência dos sistemas de produção em oito anos, pelo avanço das operações das plataformas P-78 e P-79, no campo de Búzios, e pela ampliação da produção do FPSO Alexandre de Gusmão, em Mero. A redução das perdas decorrentes de paradas para manutenção também contribuiu para o resultado. Entre julho e setembro, entraram em atividade 12 poços produtores, divididos igualmente entre as bacias de Santos e de Campos.
Considerando também a parcela de produção atribuída aos parceiros nos campos operados pela Petrobras, o volume chegou a 5,08 milhões de boed, ante 4,87 milhões no trimestre anterior. No pré-sal, a produção própria alcançou 2,96 milhões de boed, enquanto o total operado atingiu 4,46 milhões. Ambos os indicadores superaram os recordes do segundo trimestre, de 2,78 milhões e 4,24 milhões de boed, respectivamente.
Plataformas do pré-sal
O campo de Mero, na Bacia de Santos, teve produção média conjunta de 760 mil barris de petróleo por dia no trimestre e permaneceu como o terceiro maior produtor do país, depois de Búzios e Tupi. Em 25 de agosto, o FPSO Alexandre de Gusmão alcançou os 180 mil barris diários previstos originalmente em projeto. Após ampliação de capacidade, autorizada pelos órgãos competentes, a unidade atingiu pico de 190 mil barris por dia em 3 de setembro.
Outra plataforma de Mero, o FPSO Sepetiba, registrou em setembro pico diário de 212 mil barris, acima da capacidade inicial de processamento de 180 mil barris por dia. Em Búzios, o FPSO Almirante Tamandaré alcançou média mensal de 263 mil barris diários em julho, mantendo-se como a unidade de maior produção de petróleo no Brasil.
Também em Búzios, a exportação média de gás natural pelas plataformas ultrapassou pela primeira vez 11 milhões de metros cúbicos por dia. Duas novas unidades destinadas ao campo, P-80 e P-82, deixaram um estaleiro em Singapura em 30 de setembro e 18 de outubro, respectivamente. A previsão é de que comecem a operar em 2027. Cada uma foi projetada para produzir 225 mil barris de petróleo por dia e comprimir 12 milhões de metros cúbicos de gás diariamente.
Refino e movimentação
As vendas de derivados no mercado brasileiro totalizaram 1,854 milhão de barris por dia no terceiro trimestre, maior volume desde 2021 e recorde para a configuração atual do parque de refino. Houve crescimento de 6,4% em relação ao trimestre anterior, com altas de 14,4% nas vendas de diesel e de 9,9% nas de querosene de aviação. As exportações de petróleo e derivados somaram 1,251 milhão de barris diários, também um recorde.
A produção de derivados atingiu 1,873 milhão de barris por dia no trimestre, com fator de utilização das refinarias de 99%, cinco pontos percentuais acima do índice de um ano antes. Diesel, querosene de aviação e gasolina responderam por 68% do volume produzido. Nos nove primeiros meses do ano, a produção média de derivados cresceu 7,2%, para 1,869 milhão de barris por dia, e o processamento de petróleo avançou 7%, para 1,8 milhão de barris diários. O petróleo nacional representou 93% da carga processada, dos quais 72% eram óleos do pré-sal.
Na logística, os embarques de petróleo para exportação chegaram a 37,8 milhões de barris em agosto, superando os 37,2 milhões de julho. Parte das cargas ainda estava em trânsito no fechamento do trimestre e não entrou no volume exportado do período. Em agosto, a transferência por navios do tipo Cargo Transfer Vessel alcançou 6,6 milhões de barris. Já o terminal de Suape, em Pernambuco, registrou 101 navios operados em setembro, sua maior marca mensal.
A estatal informou ainda ter iniciado o abastecimento marítimo de bunker em Suape e realizado sua primeira operação comercial com óleo combustível marítimo de alto teor de enxofre no Porto do Rio de Janeiro. No trimestre, foram assinados contratos para o projeto de combustíveis renováveis da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, com capacidade prevista de até 15 mil barris por dia. A Refinaria Duque de Caxias, por sua vez, entregou em julho um primeiro lote de 3,8 milhões de litros de combustível sustentável de aviação obtido por coprocessamento e recebeu autorização para produzir diesel com 8,5% de conteúdo renovável.