Infraestrutura
Usina solar no Ceará usa fibra óptica e IA para reforçar segurança
Sistema monitora 16 quilômetros de perímetro do complexo Bom Jardim, da Qair, e integra detecção de ameaças a câmeras e centro de operações
A proteção de grandes usinas de geração renovável passou a incorporar novas ferramentas de monitoramento. No Ceará, a Usina Fotovoltaica Bom Jardim, da Qair, em Icó, recebeu um sistema de segurança que utiliza fibra óptica como sensor para identificar movimentações no perímetro e direcionar câmeras aos pontos de possíveis ocorrências. O complexo reúne 240 megawatts (MW) de capacidade instalada e 16 quilômetros de área monitorada, distribuídos em quatro unidades.
O projeto foi implantado pela Avantia Tecnologia e Segurança, em parceria com a A\SENSE Defesa Perimetral e a construtora A. Gaspar. A solução combina detecção por fibra óptica, processamento de sinais, algoritmos de classificação de eventos e videomonitoramento. A iniciativa também marca a entrada da Avantia no segmento de Geração Centralizada (GC).
A tecnologia transforma o cabo de fibra óptica instalado ao longo da área protegida em um sensor contínuo, capaz de captar vibrações e perturbações físicas. Os sinais são processados por algoritmos que procuram distinguir eventos associados a tentativas de invasão, como cortes e escaladas, de interferências ambientais provocadas por vento, chuva, animais ou circulação de veículos.
Quando um evento é classificado como possível ameaça, sua localização é enviada ao sistema de gerenciamento de vídeo. Câmeras móveis, do tipo PTZ, podem ser direcionadas automaticamente ao ponto indicado, enquanto câmeras fixas complementam o monitoramento das instalações. O sistema também conta com alertas sonoros e integração ao centro de operações de segurança da usina, onde as informações são reunidas para avaliação e resposta das equipes.
Adaptação
A extensão e as características do terreno foram alguns dos desafios da implantação. O complexo reúne quatro unidades, identificadas como Bom Jardim I, II, III e V, com variações de relevo, vegetação, estruturas e condições ambientais. Temperaturas elevadas, poeira e circulação de animais também podem interferir na identificação de eventos e aumentar a ocorrência de alarmes sem relevância.
Para atender às particularidades da instalação, a A\SENSE desenvolveu um algoritmo específico para o projeto e realizou ajustes nos parâmetros de sensibilidade e na integração com o sistema de vídeo. Em determinados trechos, a fibra percorre o perímetro, passa por estruturas associadas ao cabo OPGW, utilizado em linhas de alta tensão, e retorna ao nível do solo para dar continuidade ao monitoramento.
Segundo o diretor comercial para a área privada da Avantia, Mário Tranche, a proteção de grandes usinas exige integração entre diferentes tecnologias e conhecimento das condições de cada empreendimento.
“Em instalações com quilômetros de perímetro, a simples ampliação da quantidade de equipamentos não é suficiente. A identificação do tipo de ocorrência e sua localização são consideradas etapas importantes para orientar a atuação das equipes”, diz ele.

Qair aproveita o potencial do Ceará para acelerar a transição da matriz energética. Foto: Tiago Stille/Casa Civil Ceará
Menos equipamentos
Outro aspecto da arquitetura adotada é a ausência de componentes eletrônicos distribuídos ao longo do perímetro. A fibra óptica atua de forma passiva na área protegida, sem necessidade de alimentação elétrica local. Outro ponto é a resistência da fibra a descargas atmosféricas e a possibilidade de vida útil superior a 100 anos, inclusive em ambientes sujeitos à maresia.
Para o CEO da A\SENSE Defesa Perimetral, Hamilton Luiz, o desenvolvimento exigiu mais do que a instalação de uma solução já existente. “A diversidade de condições ao longo dos 16 quilômetros demandou adaptações tecnológicas e acompanhamento técnico durante a implantação”, conta.