sexta-feira, 06 de novembro de 2026
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Opinião

Editorial

Um novo passo para a mineração brasileira

A definição de uma lista de 27 minerais críticos e estratégicos representa um passo importante para que o Brasil estabeleça prioridades no aproveitamento de seus recursos naturais. Ao considerar riscos de abastecimento, dependência externa e importância econômica, o governo federal cria uma referência para orientar investimentos e políticas industriais. A iniciativa ganha relevância em um cenário internacional no qual o acesso a determinadas matérias-primas passou a influenciar decisões econômicas, tecnológicas e comerciais.

A demanda por minerais utilizados em baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas de energia renovável tende a crescer com a transformação das matrizes energéticas e a digitalização da economia. Nesse contexto, países com reservas minerais significativas encontram oportunidades para ampliar sua participação nas cadeias globais de produção. O Brasil reúne condições favoráveis para aproveitar esse movimento, mas precisa transformar seu potencial geológico em capacidade industrial.

Historicamente, uma das limitações da economia brasileira tem sido a exportação de matérias-primas com baixo grau de processamento, enquanto produtos de maior valor agregado são fabricados em outros países. A política de minerais críticos e estratégicos oferece uma oportunidade para enfrentar essa característica. O desenvolvimento de instalações de beneficiamento, refino e transformação pode ampliar a geração de empregos qualificados, estimular pesquisas e fortalecer fornecedores nacionais.

A classificação também permite identificar vulnerabilidades que afetam atividades essenciais. É o caso dos fertilizantes, cuja produção depende de insumos como fosfato e potássio. Reduzir a exposição a oscilações internacionais de preços e a eventuais interrupções no fornecimento representa um benefício não apenas para a mineração e a indústria química, mas também para o agronegócio e a segurança alimentar. A diversificação das fontes de abastecimento merece, portanto, atenção semelhante à expansão da produção interna.

Entretanto, a elaboração da lista constitui apenas uma etapa inicial. Para produzir resultados concretos, será necessário oferecer condições competitivas aos investimentos privados, com segurança jurídica, previsibilidade regulatória e infraestrutura adequada. Projetos minerais exigem recursos elevados e prazos longos de maturação. Sem acesso eficiente a energia, ferrovias, rodovias e portos, parte das vantagens proporcionadas pelas reservas brasileiras pode ser comprometida pelos custos de produção e transporte.

Outro aspecto fundamental é a responsabilidade ambiental. A expansão da atividade mineral deve observar critérios rigorosos de licenciamento, segurança operacional e proteção dos territórios envolvidos. O avanço da industrialização não dispensa esses compromissos. Pelo contrário, exige planejamento para conciliar o aproveitamento econômico dos recursos com os impactos sobre comunidades e ecossistemas.

A criação de prioridades nacionais pode contribuir para uma atuação mais coordenada entre governo, empresas, instituições financeiras e centros de pesquisa. Seu êxito, porém, dependerá da continuidade das políticas e da capacidade de converter diretrizes em empreendimentos viáveis. O Brasil dispõe de recursos minerais relevantes. O desafio é fazer com que essa riqueza também se traduza em conhecimento, tecnologia, produção industrial e benefícios duradouros para a economia nacional.

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