Rodovias
NTC defende combate à receptação para conter roubo de cargas
Entidade afirma que a repressão aos assaltos nas estradas deve alcançar também financiadores, depósitos clandestinos e comerciantes de mercadorias ilegais
O combate ao roubo de cargas no Brasil deve alcançar não apenas os responsáveis pelos assaltos, mas também as estruturas de financiamento, armazenamento, receptação e comercialização das mercadorias. A avaliação é da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), que divulgou nesta sexta-feira (6) uma manifestação sobre a aprovação da PEC da Segurança Pública pelo Senado Federal.
Segundo a entidade, os crimes contra veículos, cargas e trabalhadores do transporte rodoviário provocam prejuízos que ultrapassam as empresas diretamente atingidas. As ocorrências também afetam o abastecimento da população, a continuidade das atividades produtivas e a competitividade econômica.
Para a NTC, o enfrentamento da criminalidade exige ações coordenadas e permanentes, capazes de identificar os beneficiários econômicos dos roubos e desarticular o mercado ilegal de mercadorias. A associação considera necessária a integração entre policiamento ostensivo, inteligência, investigação criminal e instituições do sistema de Justiça.
A manifestação foi publicada após a aprovação da PEC 18/2025, na terça-feira (3). A proposta recebeu 73 votos favoráveis no primeiro turno e 75 no segundo, sem votos contrários, e segue para promulgação pelo Congresso Nacional.
Entre as mudanças previstas estão a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, a ampliação da cooperação entre União, estados e municípios e o fortalecimento do combate às organizações criminosas. O texto também amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), permitindo sua atuação no patrulhamento ostensivo de ferrovias e hidrovias federais, além das rodovias.
Ações integradas
A NTC ressalta que a implementação das mudanças dependerá de planejamento, recursos financeiros, medidas operacionais e mecanismos de coordenação nacional, respeitando a autonomia dos estados.
A preocupação com a receptação já havia sido abordada pela associação em setembro, durante um fórum de segurança no Espírito Santo. Na ocasião, o delegado Waldomiro Milanesi, assessor de Segurança da entidade, defendeu que as investigações alcançassem os mercados ilícitos e a estrutura econômica que sustenta o roubo de cargas.
A associação também mantém, desde 2025, a Aliança Nacional pela Segurança Logística, iniciativa destinada a ampliar a cooperação entre transportadoras, entidades empresariais e órgãos de segurança pública.