Infraestrutura
Ponte Salvador-Itaparica terá aporte federal de R$ 3 bilhões
Empreendimento previsto no Novo PAC terá 12,4 quilômetros de extensão e será implantado por concessionária formada por duas empresas chinesas, em regime de PPP
O governo federal, por meio do Ministério dos Transportes, e o governo da Bahia formalizaram um acordo para destinar R$ 3 bilhões à construção da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica. O projeto prevê uma estrutura de aproximadamente 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos e investimento total estimado em R$ 11,6 bilhões.
O empreendimento integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e será executado por meio de uma parceria público-privada (PPP). Os R$ 3 bilhões representam parte dos aportes públicos previstos para sua implantação, não o custo total da obra.
Pelo acordo, caberá ao Ministério dos Transportes aprovar o plano de trabalho, destinar os recursos orçamentários e acompanhar o cumprimento das condições pactuadas. O governo da Bahia deverá assegurar projetos, licenças e demais condições necessárias, além de fiscalizar a execução e prestar contas.
A PPP reúne o governo estadual e a Concessionária Ponte Salvador-Itaparica, formada pelas empresas chinesas China Communications Construction Company (CCCC) e China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC). A concessionária será responsável pela implantação, operação e manutenção do sistema rodoviário.
Integração regional
A ponte deve conectar Salvador ao município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, e integrar um sistema com acessos na capital, novas vias na ilha e intervenções na BA-001. A proposta é ampliar a ligação entre a Região Metropolitana de Salvador, o Recôncavo Baiano, o Baixo Sul, o Extremo Sul e a Chapada Diamantina.
Segundo o Ministério dos Transportes, a nova ligação poderá beneficiar 250 municípios. A travessia entre Salvador e Itaparica, hoje dependente do ferry-boat e que pode levar cerca de uma hora, poderá ser feita em aproximadamente 15 minutos. O governo também estima redução de até 200 quilômetros no percurso de determinadas cargas, conforme a origem e o destino.
A redução efetiva do tempo de deslocamento dependerá dos acessos, das condições de tráfego e da integração com a malha rodoviária. O impacto sobre o transporte de cargas dependerá das rotas, dos pedágios e da capacidade das vias conectadas.
A justificativa econômica do projeto está ligada à melhoria da mobilidade e à redução de barreiras entre regiões. A ligação permanente pode facilitar deslocamentos, ampliar o acesso a mercados e reduzir a dependência do ferry-boat. Os efeitos, porém, dependerão de infraestrutura complementar, serviços públicos e planejamento urbano. O aumento do fluxo de veículos também exige atenção à mobilidade, à segurança viária e à preservação ambiental.
O sistema inclui acessos em Salvador, a ponte, a chegada à Ilha de Itaparica, uma variante para desviar o tráfego de Mar Grande e a recuperação e duplicação de trecho da BA-001. Essas partes precisam avançar de forma coordenada para viabilizar os benefícios previstos.
Recursos e prazos
O aporte federal será destinado a parte dos investimentos públicos previstos na PPP, incluindo infraestrutura, obras e sistemas operacionais. O acordo estabelece mecanismos de acompanhamento e prestação de contas para verificar a aplicação dos recursos e o cumprimento das etapas.
O investimento estimado em R$ 11,6 bilhões abrange o projeto como um todo, enquanto o compromisso federal corresponde a uma parcela do financiamento público. O custo final dependerá do cronograma de desembolsos, das obrigações do governo estadual e da concessionária e de eventuais alterações de orçamento.
Segundo informações do governo baiano, após o termo aditivo assinado em junho de 2025, a concessionária passou a ter até um ano para concluir os projetos de engenharia e obter as licenças necessárias. A etapa seguinte prevê até cinco anos para as obras, após a conclusão dos projetos básicos e a implantação dos canteiros. A conclusão foi fixada para junho de 2031.
O licenciamento ambiental é outro ponto relevante. Segundo a página oficial do projeto, a licença prévia havia sido concedida, enquanto a licença de instalação permanecia em análise na atualização de abril de 2026.
A construção também envolve desafios de engenharia. A ponte atravessará trechos de águas profundas e exigirá fundações, estruturas de apoio e logística para transportar materiais e equipamentos. O projeto prevê uma Plataforma Linear Provisória para o deslocamento de trabalhadores e insumos durante as obras.