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Aviação

Anac cobra explicações sobre voos de aviões ligados a Vorcaro

Atualizado em: 7 de novembro de 2026 às 8:32
Da Redação Enviar e-mail para o Autor Estadão Conteúdo

Agência quer saber se duas aeronaves sem autorização para táxi aéreo realizaram transporte remunerado; uma delas é citada em apuração sobre Alexandre de Moraes

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) pediu que operadores de dois aviões privados ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro esclareçam se realizaram transporte remunerado de passageiros. Apesar de não terem autorização para realizar táxi aéreo, as aeronaves podem ter transportado o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de Brasília para São Paulo no ano passado.

Os operadores foram notificados por meio de um despacho assinado no dia 28 de outubro pelo superintendente de Operações da Aviação Geral da Anac, Edvaldo Rodrigues de Oliveira. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão, que também teve acesso ao documento.

A reportagem procurou o ministro Alexandre de Moraes por meio da assessoria do STF. Não houve resposta até a publicação deste texto.

“Tendo em vista que as aeronaves de marcas PP-BIO e PS-FSW não podem ser empregadas de maneira remunerada, essa Superintendência encaminhou ofício aos operadores de ambas as aeronaves questionando, entre outras coisas, a natureza dos voos realizados no período investigado pelos parlamentares. Nesse momento, a SAG aguarda a resposta a tais ofícios, e somente após as respostas será possível analisarmos a ocorrência de eventual irregularidade”, afirmou Oliveira no despacho.

Como mostrou o Estadão, a aeronave de prefixo PS-FSW é um dos dois aviões ligados a Vorcaro que podem ter realizado o voo de Moraes de Brasília para São Paulo no dia 7 de agosto de 2025. A reportagem, publicada em abril, foi citada expressamente no despacho da Anac.

Moraes acessou o terminal de aviação executiva do Aeroporto de Brasília às 19 horas do dia 7 de agosto do ano passado, segundo dados enviados à CPI do Crime Organizado pela Inframérica, administradora do aeroporto da capital federal. Era uma quinta-feira, após sessão plenária do STF.

A reportagem analisou os registros de partidas e chegadas de Brasília naquela data, mantidos pela Aeronáutica. Após a chegada de Moraes, três aeronaves voaram para o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Às 19h16, decolou um avião da empresa FSW PSE, que tem Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, entre os sócios. A reportagem teve acesso a um documento no qual o piloto que conduziu a aeronave Falcon 2000, da FSW, naquele dia afirma categoricamente que o ministro Alexandre de Moraes não esteve a bordo.

Em seguida, um voo da Prime Aviation, empresa que teve participação de Vorcaro até setembro de 2025, partiu de Brasília para Congonhas. O Phenom 300, de prefixo PR-SAD, decolou às 20h05 e aterrissou às 21h33. Segundo a Anac, essa aeronave tem autorização para realizar táxi aéreo.

Houve um terceiro voo com destino a Congonhas realizado pela aviação privada em Brasília, no dia 7 de agosto, que partiu às 20h29. Era uma aeronave da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso.

Outro avião

O outro avião mencionado no despacho da Anac tem o prefixo PP-BIO. Também era operado pela Prime Aviation, mas não tinha autorização para táxi aéreo.

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, Moraes e a esposa, Viviane Barci de Moraes, foram registrados como passageiros em um hangar de jatos executivos na capital federal no dia 16 de outubro de 2025. Na mesma data, o PP-BIO decolou do local para o Aeroporto de Catarina, localizado na cidade de São Roque (SP).

Em nota divulgada em abril, o escritório de advocacia de Viviane Barci afirmou que “contrata diversos serviços de táxi aéreo, e que entre os que já foram em algum momento contratados está o da empresa Prime Aviation” e que “todos os valores eram pagos compensando os honorários advocatícios nos termos contratuais”.

O Master, de Vorcaro, firmou contrato com o escritório de Viviane Barci em fevereiro de 2024 por um total de R$ 129 milhões em três anos. Também à época, o gabinete de Alexandre de Moraes divulgou uma nota na qual afirmou que o ministro “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”.

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