Nacional
Governo acompanha fusão das empresas Gol-Azul
Ministro de Portos e Aeroportos afirma que prioridade é impedir o fechamento de companhias e garantir estabilidade no setor
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, comentou a possibilidade de fusão das empresas Gol e Azul e disse que a prioridade do Governo é garantir que as companhias aéreas não quebrem, o que resultaria em um prejuízo muito grande para a economia brasileira. Segundo ele, a expectativa é que a decisão da fusão seja definida pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em até 12 meses.
Em janeiro, a Azul e a holding Abra Group, controladora da Gol e da Avianca, assinaram um memorando de entendimento marcando o início de um processo que visa à fusão de seus negócios no Brasil.
Em participação no programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), na quinta-feira (6), Costa Filho comentou os possíveis benefícios que a junção das empresas pode refletir para a aviação brasileira.
“Hoje, 63% da aviação brasileira está nas mãos da Gol e da Azul. Estamos falando de mais de 35 mil empregos diretos por essas companhias, fora os empregos indiretos que o setor gera para a economia brasileira. Nossa principal prioridade é fazer com que as empresas possam se preservar e não passar por um processo de concordata, ou seja, quebrarem. Imagina o caos no Brasil se, do dia para a noite, uma companhia aérea fechar”, disse.
Segundo o ministro, em reuniões com os presidentes das respectivas companhias aéreas, a fusão entre Gol e Azul tende a ser positiva para melhorar a governança das empresas, além de trazer benefícios em termos financeiros e modernização das operações.
“A fusão pode trazer uma maior capacidade de poder de fogo para, por exemplo, a compra de motores e insumos nas aeronaves. Isso significa um maior volume de compras para novas aeronaves, além de procurar ampliar cada vez mais a integração de rotas regionais do Brasil”, analisou.
Costa Filho disse que uma das principais ações da pasta sob sua gestão foi a recuperação das companhias aéreas, um processo que, segundo ele, aconteceu em países da Europa e nos Estados Unidos.
“O Brasil agora viabilizou uma agenda de crédito de R$ 4 bilhões, que vão ajudar as companhias aéreas a passar por um processo de recuperação. O processo é embrionário, mas há um ano para fazer uma avaliação. Nossa prioridade é não deixar que as empresas quebrem e prejudiquem a economia brasileira”.
O ministro explicou que as empresas estão em processo de envio da documentação ao Cade e espera que a decisão seja divulgada em até 12 meses, prazo dado pelo próprio órgão.
“Teremos reuniões marcadas com o presidente do Cade justamente para poder monitorar e acompanhar o processo. Caso a fusão aconteça, não vamos aceitar um aumento das passagens que prejudique a população. É preciso que o Cade tenha um olhar para isso”, argumentou.
AmpliAR
Costa Filho ainda comentou sobre o Programa de Investimentos Privados em Aeroportos Regionais (AmpliAR), que atualmente encontra-se em fase de consulta pública. O objetivo é viabilizar a gestão e operação de pequenos e médios aeroportos que são considerados estratégicos pela pasta.
Com um modelo de contratação simplificado, o programa permitirá que as atuais concessionárias dos principais aeroportos do país administrem e invistam nas localidades ofertadas, sendo remuneradas por meio do reequilíbrio de seus contratos principais.
“Nos próximos cinco anos, serão mais de 100 aeroportos requalificados, que passarão por reformas, além da construção de novos aeroportos pelo país, com foco na aviação regional. Na primeira etapa, serão 50 aeroportos na Amazônia Legal e no Nordeste, e, posteriormente, mais 50”, explicou o ministro.