Internacional
Tensões comerciais disparam após retaliação de países aos Estados Unidos
Medidas protecionistas de Donald Trump geram reação imediata e ampliam incertezas no comércio global
A nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre importações do Canadá, México e China gerou forte reação dos três países, que responderam com medidas de retaliação contra produtos norte-americanos. A decisão do presidente Donald Trump de implementar tarifas de 25% sobre importações canadenses e mexicanas, além de um aumento adicional de 10% sobre produtos chineses, elevou a tensão comercial e aproximou as economias de uma nova guerra tarifária global.
O Canadá foi o primeiro a responder. Ainda na véspera da entrada em vigor das tarifas, o primeiro-ministro Justin Trudeau anunciou que o país aplicaria tarifas recíprocas de 25% sobre US$ 155 bilhões em produtos dos EUA. Parte das medidas começou a valer já na terça-feira (4), enquanto o restante entrará em vigor dentro de 21 dias.
“Nossas tarifas permanecerão em vigor até que a ação comercial dos EUA seja retirada e, caso as tarifas dos EUA não cessem, estamos em discussões ativas e contínuas com províncias e territórios para buscar diversas medidas não tarifárias”, afirmou Trudeau em comunicado.
Poucas horas depois, foi a vez da China responder. Pequim anunciou tarifas adicionais de 10% a 15% sobre produtos agrícolas norte-americanos, incluindo frango, trigo, milho e algodão, além de soja, sorgo, carne suína, carne bovina, produtos aquáticos, frutas, vegetais e laticínios. As novas tarifas, que afetarão cerca de US$ 21 bilhões em exportações dos EUA, entram em vigor no próximo dia 10.
Além disso, Pequim impôs novas restrições de exportação e investimento a 25 empresas norte-americanas, citando “motivos de segurança nacional”. O governo chinês também anunciou investigações contra produtores de fibra óptica dos EUA por supostas práticas antidumping e suspendeu licenças de importação de três exportadores americanos, além de interromper embarques de madeira serrada.

A China anunciou tarifas adicionais de 10% a 15% sobre produtos agrícolas dos EUA, que afetarão cerca de US$ 21 bilhões em exportações e entrarão em vigor no próximo dia 10. Foto: Xinhua via Governo da China
“Tentar exercer pressão extrema sobre a China é um erro de cálculo e um engano”, declarou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês. Pequim ainda adicionou 15 empresas norte-americanas à sua lista de controle de exportação e colocou 10 companhias na Lista de Entidades Não Confiáveis, em retaliação à venda de armas para Taiwan.
A resposta do México veio na mesma terça-feira. A presidente Claudia Sheinbaum condenou as tarifas impostas pelos EUA e afirmou que o país preparará medidas de retaliação.
“Não há razão, fundamento ou justificativa para apoiar esta decisão que afetará nosso povo e nossas nações. Ninguém ganha com esta decisão”, afirmou Sheinbaum, prometendo divulgar as contramedidas no próximo domingo (9).
As justificativas apresentadas por Trump para a imposição das tarifas variam. No caso do Canadá e do México, ele argumenta que as taxas são uma resposta ao grande fluxo de tráfico de drogas que entra nos EUA. “Eles vão ter que ter uma tarifa. Então, o que eles têm que fazer é construir suas fábricas de automóveis, francamente, e outras coisas nos Estados Unidos, caso em que não haverá tarifas”, disse Trump.
Já contra a China, as novas tarifas se somam a um pacote de medidas protecionistas que incluem sobretaxas anteriores sobre semicondutores e veículos elétricos. A China reagiu, chamando a decisão de “chantagem” e afirmando que o país não se curvará às pressões norte-americanas.
Segundo analistas ouvidos pela Reuters, a escalada tarifária aumenta os riscos de uma guerra comercial total, tornando mais difícil uma negociação para reduzir tensões. A China, embora tenha estabelecido suas tarifas abaixo de 20%, indicando margem para diálogo, se mantém firme na defesa de seus interesses.