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Hidrovias do Brasil vende operação de cabotagem
Negócio com a Norsul, no valor de R$ 715 milhões, visa otimizar os investimentos e fortalecer a estrutura financeira da empresa
A Hidrovias do Brasil anunciou a venda de sua operação de cabotagem para a Norsul por R$ 715 milhões. O acordo, que envolve a transferência de R$ 521 milhões em passivos financeiros, será quitado à vista no momento do fechamento da transação. A negociação foi comunicada ao mercado no último dia 28.
A operação adquirida pela Hidrovias do Brasil em 2016 tem papel estratégico no transporte de bauxita entre Porto Trombetas e Barcarena, por meio de um contrato vigente até 2034. A transação inclui R$ 195 milhões correspondentes ao patrimônio líquido e poderá sofrer ajustes financeiros relacionados ao capital de giro até a conclusão do processo.
A cabotagem é um tipo de transporte marítimo realizado entre portos do mesmo país, funcionando como uma alternativa ao modal rodoviário. Em vez de utilizar caminhões ou trens, mercadorias e passageiros são deslocados por navios ou embarcações ao longo da costa ou de vias fluviais. No Brasil, essa modalidade reduz a dependência das rodovias, oferecendo uma opção logística para conectar diferentes regiões de forma mais eficiente e segura.
A decisão de vender a unidade de cabotagem está alinhada à estratégia da Hidrovias do Brasil de concentrar esforços em negócios com maior potencial de crescimento e sinergia operacional. “A venda da operação de cabotagem reforça o foco no posicionamento estratégico da companhia, permitindo a otimização do seu portfólio de negócios e a concentração de esforços nos investimentos de maior atratividade estratégica e sinergia operacional, além da contribuição imediata com a redução do seu nível de alavancagem financeira”, destacou a empresa em comunicado.
O fechamento da transação ainda depende da aprovação de órgãos reguladores e do cumprimento de condições contratuais usuais. “A companhia manterá os acionistas e o mercado em geral informados do andamento desta transação, de acordo com a regulamentação aplicável”, declarou André Saleme Hachem, diretor financeiro e de relações com investidores da Hidrovias do Brasil.
Ajustes
A venda ocorre em um momento de ajustes financeiros para a Hidrovias do Brasil. No fim de 2024, a empresa cancelou um plano de aumento de capital de até R$ 1,5 bilhão, citando a deterioração do cenário macroeconômico e o baixo interesse dos investidores. Como alternativa, firmou um acordo com a Ultra para um adiantamento de R$ 500 milhões, medida voltada ao reforço da estrutura de capital diante do vencimento de dívidas programado para janeiro de 2025. “Os recursos provenientes do adiantamento serão utilizados pela companhia no curto prazo para fortalecer sua estrutura de capital, considerando um vencimento de dívida relevante em janeiro de 2025”, informou a Hidrovias do Brasil.
Agora, a empresa retoma seus planos de capitalização. O conselho de administração aprovou um novo aumento de capital no valor de R$ 1,2 bilhão, com a emissão de 600 milhões de ações ordinárias ao preço de R$ 2 cada. O objetivo é viabilizar novos investimentos, especialmente no Corredor Norte, além de reduzir o endividamento. A Ultra, acionista de referência, já confirmou que exercerá seu direito de preferência integralmente.