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Sem transporte eficiente, não há segurança alimentar, diz Renan Filho
No Vietnã, ministro dos Transportes defende modernização de rodovias e ferrovias para garantir o abastecimento mundial
A modernização e ampliação das malhas rodoviária e ferroviária são essenciais para garantir o papel do Brasil como um dos principais fornecedores de alimentos no mundo. A afirmação é do ministro dos Transportes, Renan Filho, que participou no sábado (29) do Fórum Econômico Brasil-Vietnã, realizado em Hanói, capital do país asiático. Ele destacou a importância da infraestrutura de transportes para a segurança alimentar global.
Entre os projetos ferroviários do país, o Corredor Ferroviário Leste-Oeste, conhecido como Fico-Fiol, é uma das iniciativas mais relevantes, segundo o ministro. O corredor é composto pela Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico – EF-354) e pela Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol – EF-334), somando 2.697 quilômetros de trilhos para conectar o Brasil Central aos portos do Nordeste e Sul da Bahia.
“É uma das mais transformadoras ferrovias do mundo para a garantia da segurança alimentar, ligando o Brasil Central a portos no Nordeste e no Sul da Bahia. Isso garantirá, certamente, mais uma vertente para o escoamento da produção agropecuária brasileira para o mundo”, afirmou Renan Filho.
O ministro também ressaltou o esforço do governo para atrair investimentos privados no setor de transportes. Ele afirmou que o Brasil tem o maior pipeline de concessões rodoviárias do mundo, com 15 leilões previstos para 2025 na Bolsa de Valores de São Paulo, além de um portfólio de investimentos que totaliza cerca de US$ 50 bilhões (R$ 300 bilhões) para rodovias e US$ 15 bilhões (R$ 75 bilhões) para ferrovias.
De acordo com o Ministério dos Transportes, nos últimos 30 anos, os investimentos em infraestrutura ajudaram a elevar as exportações brasileiras de alimentos. Em 1994, o Brasil exportava 8 milhões de toneladas de alimentos. Em 2024, esse número chegou a 180 milhões de toneladas. O Vietnã, que ocupa a posição de quinto maior destino das exportações agropecuárias brasileiras, importa do Brasil cerca de 70% da soja e 37% da carne suína que consome.

Corredor Ferroviário Leste-Oeste, conhecido como Fico-Fiol, é uma das iniciativas mais relevantes, destacou o ministro. Foto: Divulgação/Ministério dos Transportes
Expansão e parcerias
Em conversa com jornalistas no Vietnã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou a importância do Brasil no cenário internacional, destacando que o país tem qualidades a oferecer e deve apostar no multilateralismo e no livre-comércio. “Nós vamos continuar andando o mundo porque temos o que oferecer. Quem tem que vender as coisas do Brasil é o Brasil”, afirmou. Segundo ele, o Brasil não está isolado e deve se posicionar como um parceiro estratégico para diversas nações.
Lula comemorou avanços obtidos durante sua viagem, como a venda de 15 jatos da Embraer para a All Nippon Airways, no Japão, e a abertura do mercado vietnamita para a carne brasileira. “A carne brasileira melhorou na quantidade e melhorou na qualidade. Portanto, hoje, a gente não deve para ninguém em qualidade”, disse. O presidente também enfatizou que o Vietnã pode ser uma porta de entrada para o Brasil na ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), enquanto o Brasil pode facilitar o acesso do Vietnã ao Mercosul.
Além das relações comerciais, Lula destacou a importância da COP30, que será realizada em novembro, em Belém (PA), como um marco para chamar a atenção do mundo para a Amazônia. “Fazer a COP no coração da Amazônia é chamar o mundo à razão sobre o significado da Amazônia. Todo mundo dá palpite sobre a Amazônia, mas pouca gente conhece, e a gente quer mostrar ela do jeito que é”, afirmou. Ele defendeu que países ricos financiem a preservação da floresta e reiterou o compromisso do Brasil com a transição energética, afirmando que até 2030 o país pretende alcançar o desmatamento zero.
O presidente também abordou as negociações comerciais com os Estados Unidos, afirmando que o Brasil tentará resolver disputas por meio da OMC (Organização Mundial do Comércio), mas não hesitará em impor reciprocidade caso necessário. “Se não for resolvido, temos o direito de impor reciprocidade aos Estados Unidos. É simples assim. Não tem nenhuma dificuldade”, declarou. Ele frisou que o país deve competir globalmente e incentivar empresas brasileiras a retomarem sua atuação na construção de grandes obras internacionais, como pontes, rodovias, ferrovias e hidrelétricas.
Por fim, Lula destacou que o Brasil deve mostrar ao mundo sua capacidade produtiva e seu compromisso com a cooperação internacional, promovendo eventos como a Cúpula do Brics. “Eu não tenho dúvida de que vamos fazer a melhor edição do Brics já feita”, afirmou.
O Brics é um grupo de economias emergentes fundado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que busca fortalecer a cooperação econômica e política entre seus membros.