Região Sul
Aprofundamento da Baía da Babitonga promete reduzir custos aos navios
Obra ampliará profundidade do canal para 16 metros e permitirá atracação de embarcações com até 16 mil TEU. Projeto deve ser concluído até 2026
O projeto de aprofundamento do canal de acesso da Baía da Babitonga deverá reduzir as despesas operacionais para os navios que acessam os complexos portuários de Santa Catarina. A ampliação da profundidade de 14 metros para 16 metros permitirá o tráfego de grandes embarcações sem a dependência das marés.
Segundo a Autoridade Portuária de São Francisco do Sul, atualmente as embarcações que se dirigem à Baía da Babitonga precisam parar no meio do canal, pois não conseguem percorrer os 17 quilômetros durante os períodos de maré alta.
O fundeio, que em alguns casos chega a durar até 24 horas, gera custos adicionais às empresas. A estimativa é que, somando as manobras de praticagem e as despesas com o navio parado, o valor possa chegar a cerca de US$ 25 mil (cerca de R$ 150 mil).

Atualmente, apenas embarcações com até 336 metros de comprimento e capacidade para até 10 mil TEU conseguem atracar. Com a obra, a capacidade aumentará para 16 mil TEU. Foto: Divulgação
O presidente do Porto de São Francisco do Sul, Cleverton Vieira, afirmou que, após a conclusão da obra, a navegação se tornará mais segura para grandes embarcações, que também reduzirão o número de manobras necessárias para o acesso aos berços dos portos catarinenses.
“No acesso ao canal, por exemplo, uma curva acentuada será suavizada, permitindo que os navios entrem ou saiam diretamente. Essa manobra a menos, que envolve o uso de rebocadores, também reduz o custo operacional das empresas”, explicou.
Atualmente, apenas embarcações com até 336 metros de comprimento e capacidade para até 10 mil TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) conseguem atracar. Com a obra, a capacidade aumentará para 16 mil TEU.
Obra
A dragagem de aprofundamento da Baía da Babitonga será viabilizada por meio de uma parceria entre o Porto de São Francisco do Sul e o Porto Itapoá. O acordo prevê que o terminal privado empreste recursos ao porto público para a realização da obra — modelo inédito no setor portuário brasileiro.
Ao fim dos trabalhos, cuja conclusão está prevista para 2026, a Baía da Babitonga passará a contar com um dos melhores acessos portuários do país, elevando a competitividade dos portos da região. Atualmente, o complexo portuário responde por 60% das cargas movimentadas nos portos de Santa Catarina.
Do total do investimento, R$ 24 milhões serão aportados pelo Porto de São Francisco do Sul, enquanto o Porto Itapoá investirá R$ 300 milhões. O valor investido pelo terminal privado será devolvido de forma parcelada até dezembro de 2037.
O ressarcimento será feito com base no adicional de tarifas portuárias geradas pelo aumento no número de navios e no volume de carga movimentada após a conclusão da obra.
No fim de março, o Governo de Santa Catarina e os portos do estado lançaram o edital para seleção da empresa responsável pela execução da obra. A sessão pública de abertura das propostas está prevista para o início de junho.