Bahia Export
Rastreabilidade e selo de origem fortalecem identidade exportadora
Empresários defendem marca territorial e cadeias produtivas integradas para agregar valor e abrir novos mercados no exterior
Mais que vender um produto, exportar é vender uma história. Essa foi a premissa que guiou o painel “A cultura exportadora da Bahia e ações para melhor promover a produção local no mercado internacional”, mediado pela advogada Zizette Balbino, durante o Bahia Export.
Para Mônica Burgos, sócia-fundadora da Avatim, marca pioneira em fragrâncias para ambientes, a Bahia precisa assumir sua identidade como diferencial competitivo. Ela defendeu a criação de uma chancela que comprove a origem local e fortaleça a cadeia de insumos no estado. Hoje, segundo a empresária, apenas uma parcela reduzida das matérias-primas vem de produtores baianos, o que limita a narrativa de autenticidade. “Um selo de origem ajudaria a fixar no mercado internacional a imagem de qualidade e procedência da Bahia”, disse.
Mônica também propôs a formação de um cluster que conecte produtores rurais de óleos essenciais e plantas aromáticas à indústria de cosméticos e perfumes, citando o exemplo do chocolate baiano como prova de que é possível criar um produto com identidade reconhecida no mundo.
Fabiano Borré, CEO da Fazenda Progresso, trouxe o exemplo da transparência como ferramenta de diferenciação. “Exportar café especial não é apenas entregar bebida boa, é mostrar como se faz”, afirmou. Durante a pandemia, ele citou como exemplo que a empresa instalou câmeras na etapa de pós-colheita e abriu os dados de produção aos clientes, reforçando a confiança em cafés especiais de alta rastreabilidade. “Quando o cliente vê tudo, do terreiro ao embarque, o valor agregado sobe naturalmente”, pontuou.
Já Pablo Barrozo, secretário da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura do Estado da Bahia, lembrou que atributos públicos também constroem reputação. “Quando o mundo vê que a Bahia é livre de febre aftosa sem vacinação, que temos um grupo de trabalho para rastreabilidade bovina e bubalina e que seguimos um plano de baixa emissão de carbono, ele entende que estamos comprometidos com a qualidade e a sustentabilidade”, afirmou. Barrozo mencionou ainda referências internacionais de place branding, como a Toscana e a Rota Romântica na Alemanha, que se tornaram destinos de prestígio ligados à sua produção local.