Nacional
Lula sinaliza disposição para um encontro oficial com Trump
Presidente defende acordo “ganha-ganha” e ressalta importância de valorizar minerais críticos e terras raras do Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na quarta-feira (24), ao final de sua agenda oficial na Assembleia Geral da ONU, que está disposto a conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso um encontro oficial seja organizado. A posição foi apresentada em entrevista coletiva, em Nova York, diante da expectativa de jornalistas sobre uma possível reunião bilateral.
Segundo Lula, restabelecer uma relação diplomática e comercial com os Estados Unidos é positivo e atende aos interesses tanto do Brasil quanto do país norte-americano. “Quando tiver eleição nos Estados Unidos, eu não me meto. E quando tiver eleição no Brasil, ele não se mete”, disse, em referência indireta ao pleito brasileiro de 2026.
O presidente destacou que o diálogo deve seguir a lógica do “ganha-ganha”. “No caso do Brasil, a gente não tem que perder, a gente tem que ganhar e também os outros têm que ganhar, porque tem que ser um acordo de ganha-ganha. Essa é a minha disposição e eu espero que seja a disposição dos Estados Unidos também, porque será bom, será bom para a nossa economia, para a nossa indústria, para o nosso comércio, para a nossa agricultura e para a relação das duas democracias mais importantes da América”, afirmou.
Apesar da insistência dos jornalistas, Lula não indicou datas para o encontro e disse que o formato, se presencial ou por videoconferência, será definido pelas equipes dos dois países. “Não trataremos de segredos de Estado, por mim pode ser público”, acrescentou.
O presidente relatou ter sido surpreendido pelo contato com Trump nos bastidores da 80ª Assembleia Geral da ONU, logo após seu discurso de abertura. Questionado sobre a “química” mencionada pelo presidente norte-americano, Lula disse, sorrindo: “Eu fui surpreendido, porque eu já estive ali outras vezes e não encontrei sempre com o presidente (dos Estados Unidos). E era normal não encontrar com o presidente. Eu já estava saindo, ia pegar as minhas papeletas e ir embora quando o Trump veio para o meu lado, com uma cara muito simpática, muito agradável, sabe? E eu acho que pintou uma química mesmo, eu acho.” A declaração provocou risos entre os jornalistas presentes.
Terras raras e minerais críticos
Lula também comentou sobre a possibilidade de discutir a exploração de terras raras e minerais críticos em negociações internacionais, ressaltando que o modelo deve seguir a lógica do “ganha-ganha” e que o Brasil não pode se limitar a exportar recursos sem agregar valor. “Nós discutimos com o mundo inteiro as nossas terras raras, nós queremos discutir com o mundo inteiro os nossos minerais críticos, nós queremos que empresas que quiserem explorar vão para o Brasil explorar. O que a gente não quer é permitir que aconteça como aconteceu até agora com os minérios: a gente é só exportador, só exportador, só exportador e não faz o processo de industrialização dentro do Brasil”, explicou.
O presidente lembrou que a criação do Conselho de Política Mineral, vinculado à Presidência da República, pretende fornecer base técnica para que o Brasil “assuma a responsabilidade pela nossa riqueza”, incluindo o mapeamento das áreas ainda pouco conhecidas no território nacional. “O Brasil ainda não conhece 70% do seu território”, disse.