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Ferrovia Transnordestina inicia operações neste mês, diz Renan Filho
De acordo com o ministro dos Transportes, a viagem inaugural irá transportar minério do Piauí ao Ceará
A Ferrovia Transnordestina fará sua primeira viagem de carga ainda neste mês de outubro, transportando minério do Piauí ao Ceará. O anúncio foi feito pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, durante a abertura da 9ª edição do evento Brasil nos Trilhos, realizada na quarta-feira (1º), no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. Segundo o ministro, o início da operação representa um marco no esforço de expansão da malha ferroviária brasileira e simboliza o “novo ciclo de investimentos em infraestrutura” que, de acordo com ele, está em curso no país.
Além da viagem inaugural da Transnordestina, Renan Filho disse que o governo publicará ainda este ano o edital de licitação para a construção do trecho da ferrovia em Pernambuco, completando a integração logística do Nordeste. Ele lembrou que obras como a Norte-Sul e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), em paralelo à Transnordestina, representam a maior expansão do modal no Brasil desde a redemocratização. “São mais de 4 mil quilômetros de trilhos entregues, com obras como a Norte-Sul, a Fiol e a Transnordestina. Esta última, que começa a operar em outubro, fará sua primeira viagem de carga, transportando milho do Piauí para o Ceará”, declarou o ministro.
O evento Brasil nos Trilhos reuniu representantes do governo federal, empresários e especialistas para discutir os avanços do setor ferroviário e as perspectivas de expansão da malha. Para Renan Filho, a retomada dos investimentos é visível nos números recentes. “O governo anterior, em 2022, aplicou R$ 7,7 bilhões; em 2023, investimos R$ 10,9 bilhões; e, em 2024, R$ 13,7 bilhões. Este é um recorde histórico, quase o dobro do valor investido há dois anos. Isso ocorre exatamente quando o Brasil bate recordes na safra agrícola, na exportação de minério e na produção industrial. Todo esse crescimento exige mais trilhos, mais logística e mais competitividade”, afirmou.
Recordes
O setor ferroviário vem registrando sucessivos recordes na movimentação de cargas. Em 2024, as ferrovias brasileiras transportaram 540,26 milhões de toneladas úteis (TU), o maior volume em duas décadas. Apenas entre janeiro e julho deste ano, foram 302,95 milhões de toneladas movimentadas, um crescimento de 0,16% em relação ao mesmo período de 2024. O minério de ferro responde por 72,1% desse total, seguido pelo agronegócio (18,6%) e por combustíveis e derivados de petróleo (6,5%). Outros produtos, como açúcar, carvão, cimento, contêineres e insumos siderúrgicos, também integram a lista de cargas transportadas.
Para atender à demanda crescente, o governo estruturou o Plano Nacional de Ferrovias (PNF), que busca modernizar a infraestrutura logística, reduzir custos, ampliar a competitividade e criar projetos que contemplem tanto o transporte de cargas quanto de passageiros. O secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, destacou a abrangência da iniciativa. “Estamos registrando diversos ativos simultaneamente, o que caracteriza o Plano Nacional de Ferrovias. O Brasil inteiro está sendo atendido. Não há uma região que fique de fora. Nossa meta é entrar em 2026 com um portfólio normativo consolidado, um banco de projetos e oito leilões, com uma estratégia de financiamento sólida e regras claras para garantir previsibilidade à indústria e fomentar parcerias”, afirmou.
Sustentabilidade
Com a proximidade da COP30, que será sediada pelo Brasil, a contribuição das ferrovias para a agenda ambiental também esteve em pauta. O modal, além de reduzir custos logísticos, tem impacto direto na diminuição das emissões de gases de efeito estufa. De acordo com dados da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), o transporte ferroviário emite 85% menos CO₂ em relação ao transporte rodoviário. Cada tonelada transportada por quilômetro emite 8,35 gCO₂ na ferrovia, contra 52,77 gCO₂/TKU na rodovia.
O secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, reforçou a importância dessa transição. “A competitividade entre os modais é essencial, mas também precisamos garantir que a malha ferroviária agregue valor ao sistema logístico como um todo, respeitando as especificidades de cada região e aproveitando seu potencial de forma sustentável”, disse.
A cerimônia de abertura da 9ª edição do Brasil nos Trilhos contou ainda com a participação do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, do diretor-presidente da ANTF, Davi Barreto, do diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio, e do diretor-presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, além de outras autoridades do setor.
ASPAS
“São mais de 4 mil quilômetros de trilhos entregues, com obras como a Norte-Sul, a Fiol e a Transnordestina. Esta última, que começa a operar em outubro, fará sua primeira viagem de carga, transportando milho do Piauí para o Ceará”
Renan Filho, ministro dos Transportes